Pomelo levanta US$ 55 milhões e prepara cartão de crédito em stablecoin para Brasil e México

São Paulo — A fintech argentina Pomelo captou US$ 55 milhões em uma rodada de Série C para reforçar sua atuação na América Latina e lançar novos produtos com stablecoins e pagamentos em tempo real.

O aporte foi co-liderado pelos fundos Kaszek e Insight Partners. Segundo o cofundador e presidente-executivo, Gaston Irigoyen, os recursos serão destinados principalmente à expansão das soluções de processamento de crédito no Brasil e no México, hoje os dois maiores mercados da empresa. Parte do capital também financiará o desenvolvimento de um cartão de crédito global lastreado em stablecoin, inicialmente vinculado ao USDC, da Circle.

Foco em infraestrutura financeira

Fundada em 2021, a Pomelo oferece sistemas de emissão de cartões e processamento de pagamentos para cartões de débito, crédito e pré-pagos, atuando em parceria com Visa e Mastercard. O negócio é dividido em duas frentes: uma plataforma própria de processamento e o modelo de BIN sponsorship, que combina processamento com suporte regulatório e de conformidade, permitindo que empresas menores lancem programas de cartões sem precisar internalizar essa estrutura.

A carteira de clientes ultrapassa 150 companhias, entre elas BBVA, Santander, Bancolombia, PayJoy, Binance, DollarApp e Western Union. De acordo com Irigoyen, a fintech tem ampliado o foco para grandes grupos internacionais e bancos tradicionais, que buscam competir com o avanço dos neobancos na região.

Novo cartão em stablecoin

O cartão de crédito em stablecoin pretende complementar as ofertas já existentes em moeda local e em dólar. A proposta é permitir compras internacionais com liquidação em dólares digitais, reduzindo barreiras cambiais e facilitando transações além das fronteiras latino-americanas.

Cenário de investimento

A rodada chega em um contexto de desaceleração do capital de risco na América Latina. Dados da PitchBook apontam que as startups locais receberam cerca de US$ 4,6 bilhões em 2025 até outubro, ritmo mais baixo em quase sete anos. Ainda assim, a Pomelo já soma US$ 160 milhões captados desde a fundação.

Além dos líderes Kaszek e Insight Partners, participaram do investimento Index Ventures, Adams Street Partners, S32, Endeavor Catalyst, Monashees e TQ Ventures.

Para acompanhar outras movimentações do setor financeiro e de tecnologia, acesse a seção de Economia do Capital Financeiro.

Resumo e próxima etapa: Com o novo aporte, a Pomelo pretende acelerar a oferta de crédito no Brasil e no México e estrear seu cartão de stablecoin, mirando tanto mercados emergentes quanto economias maduras. Continue acompanhando o Capital Financeiro para saber como essa expansão pode impactar a oferta de serviços financeiros na região.

Com informações de Bloomberg Línea