São Paulo – A diminuição da jornada semanal pode aquecer a economia ao ampliar o tempo livre da população e, consequentemente, o consumo. A avaliação é do economista Pedro Fernando Nery, professor do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), que participou do programa WW Especial – Quem pagará a conta com o fim da escala 6×1?, exibido no domingo (15), às 22h.
Segundo Nery, a mudança na dinâmica de trabalho — em discussão no país com o possível fim da escala 6×1 — tende a criar um ciclo de gasto em serviços e lazer. “Para consumir, precisamos de renda e de tempo”, afirmou, ao citar o economista português Pedro Gomes, defensor da semana de quatro dias.
O professor contrapôs visões mais pessimistas que associam a redução da jornada ao aumento de custos empresariais e à elevação do desemprego. Ele argumentou que setores como entretenimento, turismo e cultura poderiam ganhar força, repetindo o movimento observado em feriados prolongados e no carnaval, quando trabalhadores estão fora do expediente, mas continuam gerando receita para a cadeia de serviços.
Durante a atração comandada por William Waack, Nery explicou que parte das empresas teria de se reorganizar, porém destacou que outras atividades veriam a demanda crescer justamente porque o consumidor teria mais horas disponíveis. “O trabalhador, ao ganhar tempo, vira cliente”, sintetizou.
O debate sobre a jornada faz parte de um pacote de propostas que inclui a revisão de direitos trabalhistas e de mecanismos de proteção social. Embora não exista data para votação de um projeto de lei, o tema já provoca reações de centrais sindicais, entidades patronais e equipes econômicas dos governos federal e estaduais.

Imagem: cnnbrasil.com.br
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Com a discussão ainda em fase inicial, especialistas como Nery defendem que o impacto final dependerá de calibragem setorial e de políticas que garantam transição ordenada entre diferentes modelos de produção.
Com informações de CNN Brasil


