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Projeto ABERTO expande o colecionismo brasileiro ao integrar arte e arquitetura icônicas

    O Projeto ABERTO, iniciativa fundada em 2022 por Filipe Assis, consolida-se como plataforma que reinventa o modo de expor, colecionar e consumir arte brasileira ao ocupar edifícios emblemáticos com instalações site specific, comissionamentos inéditos e parcerias com marcas; a nova edição ABERTO SOLO, em cartaz até 27 de setembro de 2026 no Teatro Cultura Artística, reflete a estratégia ao apresentar obras de Luísa Matsushita que dialogam diretamente com a arquitetura histórica do espaço.

    Da casa modernista ao palco urbano: linha do tempo e alcance do ABERTO

    Desde a primeira exposição realizada em residências modernistas projetadas por Oscar Niemeyer e Vilanova Artigas, o ABERTO adotou a premissa de que a arquitetura é parte integrante da narrativa curatorial. Entre 2022 e 2024, o projeto percorreu casas-ateliês de Tomie Ohtake e Chu Ming Silveira, ampliando a visibilidade de artistas contemporâneos ao conectar acervos privados a públicos diversos.

    O salto internacional ocorreu em 2025, quando a mostra ocupou a Maison La Roche, concebida por Le Corbusier, em Paris. O evento registrou o maior fluxo de visitantes do endereço desde sua abertura ao turismo, em 1968. Já em 2026, a equipe levou instalações à icônica Casa Bola, desenhada por Eduardo Longo, e lançou o ABERTO RUA, braço dedicado a intervenções no espaço público.

    ABERTO SOLO: imersão individual entre arte, memória e geografia paulistana

    A vertente SOLO possui formato distinto: em vez de coletivas, concentra-se em exposições individuais que exploram a sinergia entre criador e local. Na edição inaugural, Luísa Matsushita — conhecida no cenário musical como Lovefoxxx — apresenta a mostra Tudo que eu sei, eu aprendi à noite. As obras revisitam memórias do centro de São Paulo, sobrepondo elementos biográficos à história do Teatro Cultura Artística, erguido em 1947 e reconstruído após incêndio em 2008.

    Entre os destaques está uma instalação site specific de 15 metros de largura, concebida para o saguão principal. O trabalho expande a zona expositiva tradicional, aproximando o público da criação ainda na circulação diária do edifício. A escolha reforça a metodologia do ABERTO: integrar obra, coleção e arquitetura para humanizar o primeiro contato do espectador, fora do “cubo branco” convencional das galerias.

    Parcerias estratégicas: quando design, joalheria e cerâmica viram extensão da obra

    Para além da exposição física, o ABERTO fomenta colaborações que traduzem conceitos artísticos em objetos de design de alta qualidade. Três iniciativas impulsionam a atual edição:

    • HStern — a pintura Hambago (2023) inspira uma pulseira que replica as escalas tonais da obra em metais preciosos, expandindo o alcance da artista para o mercado de joias autorais.

    • Bordallo Pinheiro — a tradicional folha de couve da marca portuguesa ganha releitura cromática em cerâmica, alinhando patrimônio artesanal a linguagem visual contemporânea.

    Projeto ABERTO expande o colecionismo brasileiro ao integrar arte e arquitetura icônicas - Imagem do artigo original

    • Claudia Moreira Salles — estofados exclusivos levam traços pictóricos de Matsushita a peças de mobiliário, transformando poltronas em suportes de arte funcional.

    Essas colaborações não geram séries massificadas; são edições limitadas que mantêm a integridade conceitual enquanto oferecem novos pontos de entrada para colecionadores em formação.

    Impacto no colecionismo e na relação obra-espaço

    Ao articular exposições em locais com características arquitetônicas singulares, o ABERTO estimula o colecionador a pensar cada aquisição como parte de um ecossistema espacial. Instalações para tetos inclinados, nichos ou vãos livres obrigam a considerar iluminação, fluxo de circulação e narrativa entre peças. Esse viés formativo corrige lacunas comuns a quem inicia coleção apenas em galerias padronizadas.

    Dados internos do projeto indicam que 68 % dos visitantes da mostra na Casa Bola declararam repensar a disposição das próprias obras após a experiência. Além disso, a audiência internacional da edição parisiense resultou em 30 % de novos contatos comerciais para artistas participantes, evidenciando impacto econômico direto.

    Conclusão técnica

    Com a consolidação do ABERTO SOLO e a expansão do ABERTO RUA, o projeto avança no propósito de democratizar o colecionismo ao integrar arte, design e arquitetura. A mostra individual de Luísa Matsushita confirma a eficácia do modelo de diálogo site specific, enquanto as parcerias com HStern, Bordallo Pinheiro e Claudia Moreira Salles testam formatos de difusão e financiamento alternativos. Para 2027, a curadoria planeja itinerâncias em capitais latino-americanas e novas residências criativas, sinalizando continuidade do crescimento internacional sem abrir mão da premissa fundadora: apresentar a arte brasileira em contextos que ampliem sua leitura espacial e histórica.