Queda de 25% nas ações da Intel desencadeia onda vendedora e pressiona Nasdaq

Uma retração superior a 25% nos papéis da Intel no pré-mercado desta sexta-feira, 30 de outubro de 2026, colocou o Nasdaq Composite em terreno negativo logo na abertura, reforçando o movimento vendedor em empresas de tecnologia após a fabricante de semicondutores projetar receita abaixo das expectativas para o quarto trimestre.

Impacto imediato no mercado

Antes da abertura das negociações em Nova York, as ações da Intel (INTC) recuavam mais de 25%, reação direta ao guidance divulgado na noite anterior. O desempenho adverso contaminou os principais índices ligados ao setor, com o Nasdaq sinalizando queda inicial acima de 2%. Operadores também atribuíram parte da pressão negativa ao resultado considerado fraco da Amazon, divulgado no mesmo intervalo.

Além do reflexo nos índices, contratos futuros de empresas de semicondutores exibiram ajustes significativos, refletindo receios sobre desaceleração da demanda por computadores pessoais e seus possíveis efeitos na rentabilidade de toda a cadeia.

Radiografia do 3T26

A receita líquida da Intel atingiu US$ 16,5 bilhões, avanço de aproximadamente 21% na comparação anual, superando os US$ 13,7 bilhões registrados no 3T25. O resultado ultrapassou as estimativas medianas do mercado, mas não foi suficiente para sustentar o otimismo devido às projeções futuras.

O lucro líquido atribuível somou US$ 3,3 bilhões, revertendo o prejuízo de US$ 11,0 bilhões anotado no segundo trimestre de 2026. Entretanto, frente aos US$ 4,1 bilhões de um ano antes, houve retração de 18%. O lucro por ação (EPS) ficou em US$ 0,60, ante prejuízo de US$ 2,16 no trimestre anterior e abaixo dos US$ 0,90 observados no 3T25.

O capex permaneceu acima de US$ 5 bilhões pelo terceiro trimestre consecutivo, refletindo expansão de capacidade fabril, aquisição de equipamentos de litografia avançada e construção de novas instalações focadas em data centers e soluções de inteligência artificial.

Guidance para o 4T26 e motivações da revisão

Para o quarto trimestre, a companhia indicou faixa de US$ 15 bilhões a US$ 16 bilhões em receita, inferior ao consenso de mercado de cerca de US$ 17 bilhões. A estimativa sugere estabilidade ou leve recuo frente aos US$ 16,5 bilhões recém-reportados.

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Executivos atribuíram o ajuste à fraqueza continuada no mercado de PCs, segmento responsável por parcela relevante do faturamento histórico da empresa. Embora a demanda por servidores e aplicações de inteligência artificial permaneça elevada, o mix de produto menos favorável tende a pressionar margens nos próximos trimestres.

A administração reforçou o compromisso com investimentos estratégicos, destacando acordos de fornecimento de longo prazo com gigantes de computação em nuvem e contratos governamentais voltados a semicondutores avançados. Contudo, reconheceu que a materialização plena dessas iniciativas depende da normalização do ciclo de encomendas de dispositivos de consumo.

Repercussões setoriais e comparação com pares

A correção abrupta de valor de mercado da Intel repercutiu entre concorrentes listados, como AMD, Nvidia e Qualcomm, que apresentaram quedas entre 3% e 6% nos negócios pré-abertura. Analistas ponderam que, embora a demanda estrutural por capacidade de processamento para modelos de linguagem e serviços baseados em nuvem siga crescente, o ciclo de substituição de desktops e notebooks continua retardado pela combinação de inflação elevada e menor orçamento corporativo.

Relatórios preliminares de corretoras norte-americanas apontam que, caso o guidance da Intel se confirme, o segmento de hardware poderá registrar o primeiro declínio sequencial de receita desde o segundo trimestre de 2024, aumentando a correlação negativa entre vendas de PCs e desempenho de semicondutores de uso geral.

Conclusão técnica

A divulgação de receitas acima do esperado no 3T26 foi ofuscada por uma projeção conservadora para o 4T26, resultando em forte ajuste nas ações da Intel e pressionando o Nasdaq. O mercado respondeu de forma imediata às dúvidas sobre a velocidade de recuperação do setor de computadores pessoais, enquanto mantém a atenção em investimentos da companhia em capacidade produtiva para atender futuros pedidos de data centers e aplicações de inteligência artificial. Nos próximos meses, a consistência da execução operacional, a evolução da demanda por PCs e o cronograma de novos contratos de foundry serão pontos-chave para avaliar a trajetória de receita e margens da fabricante de semicondutores.

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