Os acionistas da Raízen autorizaram nesta 30 de outubro de 2026 a criação de duas companhias independentes na B3 e um aumento de capital que pode alcançar R$ 39,8 bilhões, consolidando a maior reestruturação societária já conduzida pelo grupo desde sua fundação.
Estrutura da cisão: energia de um lado, distribuição do outro
A operação aprovada divide as atividades atuais em dois núcleos. A Raízen Energia reunirá a produção e a comercialização de etanol, açúcar e bioenergia, concentrando os ativos de agronegócio e geração renovável. Já a nova Raízen S.A. manterá a rede de distribuição de combustíveis e lubrificantes sob a marca Shell, além dos contratos de varejo e logística associados.
Para viabilizar a separação, será realizada uma redução de capital na Raízen S.A. de até R$ 35 bilhões, mediante entrega de valores mobiliários emitidos pela Raízen Energia aos atuais investidores. Essa etapa funcionará como mecanismo de equilíbrio patrimonial, garantindo que cada novo veículo societário nasça com estrutura de capital ajustada ao seu perfil de negócios.
A cisão ainda depende do cumprimento de cláusulas previstas no plano de recuperação extrajudicial do conglomerado homologado em 30 de julho de 2026. Entre as condições, constam autorizações regulatórias e posterior registro das companhias resultantes na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Arquitetura do aporte multibilionário
O aumento de capital de até R$ 39,8 bilhões ocorrerá em três modalidades de emissão: ações ordinárias, ações preferenciais classe B — ambas ao preço de R$ 0,25 por papel — e units compostas por uma ação ordinária e uma preferencial classe A, precificadas a R$ 0,50 cada.
O aporte contará com a subscrição prioritária de até R$ 3,5 bilhões pela Shell Brazil Holding ou suas afiliadas. A Aguassanta Participações possui opção de injetar outros R$ 500 milhões. Adicionalmente, parte dos credores converterá créditos em capital, enquanto os demais acionistas terão direito de preferência proporcional.
O valor máximo divulgado pressupõe que a Cosan — controladora relevante — não exerça preferência sobre as ações preferenciais classe B. A diretoria mantém a possibilidade de homologação parcial, caso a demanda de mercado seja inferior ao montante-alvo.

Cronograma e próximos marcos societários
O Conselho de Administração deve avaliar a homologação do aumento de capital em 6 de novembro de 2026, data que também servirá para definir a posição acionária com direito de preferência. O período de exercício está agendado entre 9 de novembro e 8 de dezembro. A partir de 9 de novembro, os papéis passarão a negociar-se ex-direitos relativos à oferta.
Em paralelo, a companhia iniciará um processo competitivo para captar novos recursos ou atrair investidores estratégicos especificamente para a operação de distribuição de combustíveis, possibilidade que inclui eventual oferta pública secundária (follow-on).
A governança planeja concluir a listagem das duas empresas até o fim do primeiro semestre de 2027, condicionada à conclusão das etapas regulatórias. Esse movimento deverá impactar indicadores como EBITDA, alavancagem e fluxos de caixa, pois cada bloco de negócios passará a reportar desempenho individualizado, favorecendo comparabilidade setorial.
Conclusão técnica
A aprovação da cisão e do aporte de capital consolida uma estratégia focada em especialização operacional e fortalecimento do balanço. Com a segregação, a Raízen Energia buscará expandir presença em biocombustíveis e bioeletricidade, enquanto a Raízen S.A. terá condição de acelerar ganhos de eficiência na distribuição de combustíveis. O cronograma societário prevê etapas formais entre novembro de 2026 e primeiro semestre de 2027; até lá, a administração seguirá executando os trabalhos preparatórios, incluindo avaliação de investidores e adaptações contábeis exigidas pela CVM.



