São Paulo, 1º de setembro de 2025 – O desempenho recorde das ações de mercados emergentes em 2025 começa a dar sinais de esgotamento à medida que as políticas comerciais e fiscais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionam os lucros corporativos nos países em desenvolvimento.
De janeiro a agosto, o MSCI Emerging Markets avançou todos os meses, fenômeno que só havia ocorrido em 2017, também primeiro ano de Trump, e em 1993, na administração Bill Clinton. O movimento acrescentou US$ 4,3 trilhões em valor de mercado às companhias emergentes neste ano.
Por trás do rali, porém, os balanços contam outra história. As empresas listadas no índice acumularam o 13º trimestre seguido de resultados abaixo das projeções e as estimativas para 2025 voltaram a recuar após o fim de uma trégua tarifária de 90 dias.
Impacto das políticas de Washington
As novas barreiras comerciais e o expansionismo fiscal da Casa Branca reduziram o apelo do dólar como porto seguro e incentivaram investidores globais a buscar ativos alternativos, favorecendo emergentes. Ao mesmo tempo, restrições tecnológicas e tarifas sobre produtos de países como Coreia do Sul, Brasil e Índia minaram receitas e margens.
Setores intensivos em exportação, como commodities e manufatura, registraram desvio médio de 11% entre lucro previsto e realizado. Metade das companhias do MSCI EM não atingiu as projeções no último trimestre.
Casos emblemáticos
A divisão de semicondutores da Samsung Electronics divulgou lucro operacional 85% abaixo das estimativas em razão de estoques de chips de IA não vendidos após controles de exportação dos EUA. Na Índia, a tarifa de 50% imposta por Trump transformou o país na maior posição “underweight” dos investidores consultados pela Nomura Holdings, enquanto gestores ouvidos pelo Bank of America relegaram a economia indiana à última colocação entre as preferências na Ásia em apenas três meses.
Imagem: Andrey Rudakov via valor.globo.com
Visão de estrategistas
“Os riscos tarifários continuam pesando sobre o sentimento nos emergentes”, afirma Nenad Dinic, estrategista do Julius Baer. Para Hasnain Malik, da Tellimer, o principal suporte ao rali veio “do dólar mais fraco, resultado irônico do temor de erosão dos freios e contrapesos nos EUA”.
Com estimativas de lucro por ação em queda e incertezas sobre novos choques tarifários no segundo semestre, analistas recomendam cautela na exposição a ações de países em desenvolvimento.
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Com informações de Valor Econômico



