Pouco mais de 412 mil brasileiros que tiveram a declaração retida na malha fina do Imposto de Renda 2026 já podem, a partir das 10h desta quarta-feira (23), verificar se receberão a restituição devida no próximo dia 30 de setembro, informou a Receita Federal.
Detalhamento do lote: valores, prioridades e anos contemplados
A consulta liberada pela Receita Federal abrange restituições referentes não apenas ao exercício de 2026, mas também valores residuais de anos anteriores. No total, R$ 1,26 bilhão será devolvido a 412 .186 contribuintes. Do montante, R$ 466,68 milhões correspondem a perfis com prioridade legal definida em lei.
A distribuição dos contemplados segue a ordem abaixo:
- 281 .609 contribuintes que utilizaram a declaração pré-preenchida e/ou optaram por restituição via Pix (prioridade operacional, não prevista em lei);
- 9 .250 contribuintes com idade superior a 80 anos (prioridade legal);
- 59 .722 pessoas entre 60 e 79 anos (prioridade legal);
- 7 .341 contribuintes com deficiência física ou mental ou doença grave (prioridade legal);
- 19 .699 titulares cuja principal fonte de renda seja o magistério (prioridade legal);
- 34 .565 contribuintes sem prioridade legal.
Procedimento de consulta: canais digitais e passo a passo
Para verificar a inclusão no lote, o contribuinte deve acessar o portal da Receita Federal, selecionar o menu Meu Imposto de Renda e clicar em Consultar Restituição. O serviço também está disponível no aplicativo oficial para dispositivos móveis, permitindo o acompanhamento em tempo real.
Quem não constar na lista disponibilizada deve entrar no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) e emitir o extrato da declaração para identificar eventuais pendências. Se houver divergências, é possível transmitir uma declaração retificadora e aguardar os próximos lotes destinados a declarações retidas.
Cronograma de pagamento, formas de crédito e orientações em caso de erro
O depósito da restituição ocorrerá em 30 de setembro, diretamente na conta bancária ou chave Pix do tipo CPF informada na declaração. Se, por qualquer motivo, o crédito não for realizado — por exemplo, conta encerrada — o valor permanecerá disponível para resgate no Banco do Brasil por até um ano.

Nessas situações, o contribuinte pode reagendar o crédito pelo Portal BB ou pela Central de Relacionamento, nos telefones 4004-0001 (capitais), 0800-729-0001 (demais localidades) e 0800-729-0088 (exclusivo para pessoas com deficiência auditiva).
Decorrido o prazo de 12 meses sem resgate, será necessário solicitar a liberação do valor no Portal e-CAC. O procedimento envolve acessar o menu Declarações e Demonstrativos, selecionar Meu Imposto de Renda e optar por Solicitar restituição não resgatada na rede bancária.
Malha fina: principais motivos de retenção e como evitá-los
De acordo com a Receita Federal, as causas mais frequentes de retenção em malha referem-se a omissão de rendimentos, divergência entre dados informados e informes de rendimentos de terceiros, além de deduções sem comprovação adequada. Para reduzir o risco de retenção, a autarquia recomenda:
- Conferir informes de rendimentos de todas as fontes pagadoras antes da transmissão;
- Guardar comprovantes de despesas médicas, educacionais e previdenciárias por, no mínimo, cinco anos;
- Utilizar a declaração pré-preenchida, que importa dados já declarados por empregadores, instituições financeiras e prestadores de serviços;
- Optar pelo recebimento por Pix com chave CPF, o que acelera a identificação do contribuinte e reduz inconsistências bancárias.
Conclusão técnica: próximos passos e impactos para o contribuinte
Com a liberação da consulta, os contribuintes regularizados ganham previsibilidade sobre o recebimento de valores retidos. O cronograma mantém o ciclo tradicional de pagamentos em cinco lotes regulares e liberações residuais ao longo do ano fiscal. Para quem permanece na malha fina, o envio de declaração retificadora continua sendo o mecanismo oficial de correção, enquanto a adoção da declaração pré-preenchida tende a diminuir ocorrências futuras de retenção. A expectativa é de que novos lotes residuais sejam anunciados nos meses subsequentes, segundo a disponibilidade orçamentária e a ordem de prioridades já estabelecida pela legislação vigente.



