Yayoi Kusama, morta em 14 de agosto aos 97 anos, tornou-se uma das artistas mais valorizadas do mercado contemporâneo ao atingir US$ 10,496 milhões — cerca de R$ 54 milhões — pela tela Untitled (Nets) de 1959, estabelecendo o atual recorde de leilão para sua obra.
Mercado de arte: valores de oito dígitos e peças mais disputadas
Os números associados a Kusama refletem a demanda consistente por suas criações. Desde 2019, ao menos cinco lotes superaram a barreira de US$ 7 milhões (aproximadamente R$ 36 milhões), segundo resultados consolidados de Sotheby’s, Christie’s e Phillips. Entre os destaques recentes estão:
- Untitled (Nets) (1959) — arrematada por US$ 10,496 milhões na Phillips de Nova York em maio de 2022.
- A Flower (2014) — vendida por HK$ 58,455 milhões (R$ 52 milhões) na Christie’s de Hong Kong em novembro de 2023.
- Pumpkin (LPASG) (2013) — alcançou HK$ 62,49 milhões (R$ 41 milhões) na Christie’s de Hong Kong em dezembro de 2021.
- Interminable Net No. 4 (1959) — registrada em US$ 8,02 milhões (R$ 41 milhões) pela Sotheby’s em 2019.
- Pumpkin (L) (2014) — escultura de bronze vendida por HK$ 64,54 milhões (R$ 41 milhões) na Sotheby’s de Hong Kong em abril de 2023.
Analistas apontam que a liquidez destas obras decorre da combinação de identidade visual inconfundível — bolinhas, redes e abóboras — com uma produção ampla que cobre pintura, escultura e instalações imersivas. A presença contínua em exposições de alto fluxo também sustenta a curva de valorização.
Trajetória: das alucinações infantis à vanguarda nova-iorquina
Nascida em 1929 na cidade de Matsumoto, Japão, Kusama relatava desde a infância episódios de alucinação que lhe mostravam pontos expansivos sobre pessoas e objetos. Essa experiência sensorial moldou séries icônicas, como as Infinity Nets, desenvolvidas logo após a mudança para os Estados Unidos em 1957 e a chegada a Nova York em 1958.
A repetição compulsiva de pequenas pinceladas, segundo a própria artista, funcionava como método de contenção psicológica. O reconhecimento crítico veio nas décadas de 1960 e 1970, quando integrou exposições ao lado de nomes do minimalismo e da pop art. Ainda nos anos 1970, o retorno ao Japão marcou o início de uma rotina singular: residência voluntária em uma instituição psiquiátrica em Tóquio, com estúdio mantido a poucos minutos dali, onde produziu diariamente até os últimos dias de vida.
Expansão da marca Kusama: colaborações e impacto cultural
O alcance de Kusama extrapolou o circuito das artes visuais. Em 2012, a primeira colaboração com a Louis Vuitton, então sob direção criativa de Marc Jacobs, aplicou o padrão de bolinhas em bolsas, sapatos e vitrines globais. A parceria foi retomada em 2023, com instalações monumentais — incluindo uma escultura inflável na fachada da maison em Paris — e uma coleção completa de prêt-à-porter.
Campanhas digitais ampliaram o engajamento do público mais jovem, que formou filas diante dos Infinity Mirror Rooms em museus de cinco continentes. Esses ambientes, compostos por espelhos, luzes LED e repetição de formas, registram tempo médio de visita inferior a um minuto, mas geram milhões de compartilhamentos nas redes sociais, reforçando o reconhecimento de marca e, consequentemente, os preços de mercado.
Conclusão técnica
A soma de identidade visual consistente, produção volumosa e narrativa biográfica singular consolidou Yayoi Kusama como ativo de alta liquidez no mercado secundário, atualmente com teto registrado em US$ 10,496 milhões. As casas de leilão projetam novas ofertas de peças históricas — em especial abóboras e primeiras Infinity Nets — para os ciclos de outono 2026 e primavera 2027, período em que a escassez causada pelo fim da produção inédita tende a acentuar a disputa entre colecionadores institucionais e privados.



