Roberto Sallouti, principal executivo do BTG Pactual, defendeu em 20 de outubro de 2026 que profissionais devem aceitar desafios mesmo sem se sentirem totalmente prontos, aplicando o conceito de assimetria risco-retorno para alavancar a própria trajetória.
Da origem empreendedora ao comando de um banco de investimento
Filho de imigrante que chegou ao Brasil em 1959 com passaporte de refugiado, Sallouti cresceu em um ambiente no qual educação e empreendedorismo eram prioridades. Durante as férias escolares, trabalhou na produtora de cinema da família, experiência que o levou a cursar economia após conselho do pai.
O contato com o então Banco Pactual ocorreu por indicação e começou como estágio. Na época, o plano inicial era estudar nos Estados Unidos e abrir o próprio negócio ao retornar. A mudança de rota levou o executivo, ainda nos anos 1990, a integrar a cultura de partnership do banco, marcada por bônus atrelados a desempenho e perspectiva de sociedade.
Sallouti enfatiza que a ascensão não foi linear. Ao longo de pouco mais de 30 anos de carreira, enfrentou ciclos de frustrações, reestruturações internas e pressões de mercado. Mesmo assim, alcançou o posto máximo da instituição, que hoje figura entre os maiores bancos de investimento da América Latina, com lucro líquido de R$ 8,3 bilhões em 2025, segundo o último balanço anual.
Assimetria entre risco e retorno aplicada ao desenvolvimento profissional
Inspirado pela dinâmica dos mercados, o CEO recomenda identificar oportunidades cujo ganho potencial supere as perdas possíveis. A lógica, segundo relatou no painel “Educação, Carreira e Protagonismo”, é idêntica a avaliar um ativo financeiro: o retorno esperado precisa compensar o risco assumido.
Três pontos sustentam a tese:
1. Probabilidade de evolução acelerada: assumir projetos fora da zona de conforto expõe o profissional a aprendizados que não ocorreriam em funções rotineiras, antecipando promoções e expansão de responsabilidades.
2. Reputação interna: aceitar tarefas complexas em momentos críticos sinaliza resiliência e comprometimento, atributos valorizados nas avaliações de desempenho.
3. Custo do erro limitado: nas palavras do executivo, “nem toda aposta dará certo”, mas a experiência acumulada em tentativas malsucedidas costuma ter impacto pequeno quando comparada ao salto dado pelos êxitos.
Para ilustrar, Sallouti descreveu que jamais se sentiu 100 % preparado quando recebeu convites para novas funções, porém “ia de cabeça” após mensurar vantagens e riscos. O princípio, reforça, é mensurar a assimetria antes de decidir.
Competências críticas e tendências que remodelam o mercado de trabalho
No recrutamento de jovens talentos, o BTG Pactual avalia mais que domínio técnico. O CEO lista disciplina, dedicação e resiliência como pré-requisitos, mas destaca competências transversais:

Comunicação: clareza ao expor ideias sustenta a integração entre áreas, essencial em estruturas matriciais.
Pensamento crítico: habilidade para confrontar hipóteses e interpretar dados confere agilidade na tomada de decisão.
Colaboração: liderança envolve engajar equipes e estimular participação, diferindo de mera delegação de tarefas.
Sallouti sublinha quatro forças externas que, a seu ver, moldarão carreiras nas próximas décadas:
1. Tensões geopolíticas: avanço do protecionismo, polarização e conflitos exigem que empresas incorporem risco político às estratégias.
2. Juros mais altos: depois de quase dez anos de taxas próximas de zero em economias centrais, o crédito encarecido pressiona as decisões de investimento.
3. Mudanças climáticas: alterações em padrões de chuva, temperatura e seca já afetam cadeias produtivas, exigindo planejamento de longo prazo.
4. Inteligência artificial: comparada à Revolução Industrial, a nova tecnologia amplia a capacidade de produzir e processar conhecimento. O conselho é dominar ferramentas desde cedo, pois “é o novo Excel”.
Conclusão Técnica
A trajetória de Roberto Sallouti confirma que crescimento profissional decorre da combinação entre oportunidades identificadas, aceitação de riscos calculados e desenvolvimento de competências que extrapolam o conhecimento técnico. O cenário macroeconômico — marcado por incertezas geopolíticas, custo de capital elevado, desafios climáticos e avanço tecnológico — reforça a necessidade de atualização constante. Para profissionais que aspiram cargos de liderança, a orientação é adotar postura analítica, mensurar a assimetria risco-retorno de cada decisão de carreira e aprimorar habilidades de comunicação, pensamento crítico e colaboração. O contexto atual sugere que aqueles que conseguirem converter conhecimento em soluções práticas estarão melhor posicionados para liderar as transformações corporativas na próxima década.



