O Banco Safra ajustou sua carteira recomendada de dividendos para junho de 2026, substituindo Vibra Energia por Marcopolo e mantendo dez ações com peso idêntico de 10% cada, em busca de renda estável aos investidores.
Mudanças no portfólio: entrada da Marcopolo e saída da Vibra Energia
A Vibra Energia (VBBR3), que vinha compondo a seleção de proventos do Safra, foi retirada após registrar forte valorização nos últimos meses. Segundo relatório do banco, a alta acumulada limitou o potencial de ganho adicional, sobretudo diante de um flow de notícias considerado mais volátil para o setor de distribuição de combustíveis. Em seu lugar, ingressou a Marcopolo (POMO4), fabricante de ônibus que, na avaliação dos analistas, pode capturar a tendência plurianual de renovação da frota brasileira, sustentando crescimento de receitas e de dividendos.
O movimento não sinaliza deterioração operacional da antiga integrante, mas obedece à premissa de que lucros realizados devem ser reinvestidos em ativos com melhor relação risco–retorno prospectiva. A inclusão da Marcopolo reflete também a convicção do banco na demanda por veículos de transporte público mais novos, dado que grande parte dos ônibus em circulação supera dez anos de uso.
Rendimentos projetados: Allos assume a liderança com dividend yield de 12,1%
Com a recomposição, o Safra manteve o enfoque em companhias consolidadas e com cash flow robusto. A Allos (ALOS3), operadora de shopping centers, aparece no topo do ranking, com yield estimado em 12,1%. Em seguida, destacam-se Itaúsa (ITSA4) com 9,2% e Bradesco (BBDC4) com 8,7%. Já a Petrobras (PETR4) figura com 8,6%, enquanto a recém-chegada Marcopolo estreia com 8,3%.
Completam a lista CPFL Energia (CPFE3) e Cury Construtora (CURY3), ambas próximas de 7,9%, além de Caixa Seguridade (CXSE3) com 7,7%. Entre as gigantes, Vale (VALE3) surge com 7,6%, e Copel (CPLE3) encerra o quadro com 6,1% de rendimento esperado.
Os analistas enfatizam que a metodologia pondera previsibilidade de lucros, histórico de distribuição e posição competitiva. Cada papel mantém alocação de 10%, buscando diluir riscos setoriais e evitar concentração excessiva.
Desempenho histórico versus índices de referência
Em maio, a carteira registrou retração de 5,82%. Embora negativa, a variação superou a queda de 7,62% do Índice Dividendos (IDIV) e o recuo de 7,22% do Ibovespa. O resultado confirma a estratégia do Safra de privilegiar empresas menos suscetíveis a choques macroeconômicos imediatos, sem renunciar a upside de preço.

A sobreposição de carteiras comparáveis indica que, mesmo em períodos de aversão a risco, ativos com distribuição recorrente tendem a amortecer perdas em relação ao índice amplo. O Safra atribui parte dessa resiliência ao perfil defensivo de setores como energia elétrica e seguros, presentes na composição.
Racional por trás da aposta na renovação de frota
A decisão de incluir a Marcopolo baseia-se em dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus. Informações recentes apontam que mais de 50% dos veículos em operação no país ultrapassam oito anos de idade, patamar considerado tecnicamente elevado para serviços urbanos. Programas federais de mobilidade urbana e iniciativas municipais para redução de emissões devem impulsionar encomendas de chassis e carrocerias.
Além do contexto doméstico, a empresa possui presença crescente em mercados estrangeiros, notadamente na América Latina. O Safra avalia que a diversificação geográfica mitiga riscos de demanda local e cria colchão adicional para manutenção de margens. Consequentemente, a capacidade de geração de free cash flow pode sustentar políticas consistentes de dividendos ordinários e extraordinários nos próximos exercícios.
Conclusão técnica
A atualização da carteira de dividendos do Safra para junho de 2026 concentra-se em preservar atratividade de rendimento projetado, ao mesmo tempo em que ajusta exposição a riscos setoriais emergentes. A saída da Vibra Energia reflete realização de ganhos após ciclo de valorização, enquanto a entrada da Marcopolo alinha a estratégia a um vetor estrutural de demanda por transporte público renovado. Mantidos os pressupostos macroeconômicos actuales — juros em patamar elevado, consumo interno moderado e câmbio relativamente estável —, a seleção tende a continuar entregando dividend yield médio superior a 8%. Investidores deverão monitorar, no curto prazo, a efetivação de encomendas de ônibus e a evolução dos preços de commodities metálicas que afetam custos na cadeia automotiva, além da política de distribuição de Petrobras e Vale, que concentram parcela relevante do fluxo de proventos do portfólio.



