Taesa indica ex-CFO da Petrobras Andrea Marques de Almeida para presidir o conselho e reforça foco em disciplina financeira

Andrea Marques de Almeida foi eleita nesta quarta-feira, 16 de setembro de 2026, presidente do conselho de administração da Taesa (TAEE11), transferindo para a transmissora de energia a experiência adquirida em cargos de alta direção na Petrobras, Vale, Santander Brasil e Cemig, além do reconhecimento internacional registrado pelas revistas Fortune e Forbes.

Composição do conselho e transição de governança

O fato relevante divulgado à Comissão de Valores Mobiliários informa que a eleição de Andrea ocorre em substituição a um mandato encerrado na mesma data, sem alteração imediata na diretoria executiva. O novo arranjo preserva o quórum independente exigido pelo segmento Nível 2 de governança da B3, mantendo quatro conselheiros externos entre os sete assentos disponíveis.

Como presidente do conselho, a executiva passa a coordenar reuniões estratégicas, validar políticas de investimento e monitorar a execução do plano decenal de expansão, que abrange 6 000 km de novas linhas de transmissão previstas até 2030. O estatuto da companhia atribui ao cargo poder de voto de desempate em matérias críticas, incluindo definições de dividendos e captação de dívida.

Trajetória profissional e resultados comprovados

Andrea assumiu a diretoria financeira da Petrobras entre 2019 e 2021, período no qual a estatal reduziu a dívida líquida de US$ 115 bilhões para US$ 75 bilhões, implementou uma nova política de remuneração aos acionistas e concluiu desinvestimentos em ativos não core. Antes, construiu carreira de 25 anos na Vale, passando por suprimentos, controladoria e tesouraria global.

Após deixar a petroleira, foi vice-presidente de Finanças e Estratégia do Santander Brasil (2021-2024) e, na sequência, vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores da Cemig (2024-jun/2026), onde coordenou reestruturação de R$ 7 bilhões em passivos e a emissão de debêntures verdes alinhadas ao arcabouço da Comissão Europeia.

O currículo inclui graduação em Engenharia de Produção pela UFRJ e MBA em Finanças pelo IBMEC. Em 2019, figurou entre as 50 mulheres mais poderosas do mundo segundo a Fortune, e, em 2020, alcançou a 77ª posição na lista da Forbes 100 Most Powerful Women.

Taesa indica ex-CFO da Petrobras Andrea Marques de Almeida para presidir o conselho e reforça foco em disciplina financeira - Imagem do artigo original

Desafios setoriais e impactos potenciais para a Taesa

A chegada da executiva coincide com a intensificação dos leilões de transmissão programados pela Agência Nacional de Energia Elétrica para 2027-2028, que somam investimentos estimados em R$ 60 bilhões. A Taesa possui participação média de 15 % nos certames recentes e busca manter índice de alavancagem abaixo de 3,5 x EBITDA, meta reforçada pelo histórico de disciplina de Andrea em outras companhias.

Paralelamente, a regulamentação do Modelo de Transição Energética Justa impõe revisões nos contratos de Receita Anual Permitida (RAP). O conselho deverá avaliar cenários de repactuação, considerando a exposição da Taesa a ativos anteriores a 2007, cujo reajuste inflacionário pode ser limitado a partir de 2028. A experiência da nova presidente em ambientes regulados — petróleo, mineração e banco múltiplo — adiciona conhecimento crítico para negociações junto à ANEEL e ao Ministério de Minas e Energia.

No front de sustentabilidade, a companhia pretende expandir a linha de instrumentos vinculados a metas ESG, segmento no qual Andrea conduziu a primeira captação Sustainability-Linked da Petrobras em US$ 3,25 bilhões. Esse know-how tende a acelerar emissões similares para financiar projetos de repotenciação de transformadores e digitalização de subestações.

Conclusão técnica e próximos passos

Com a eleição de Andrea Marques de Almeida, a Taesa adiciona ao conselho um perfil especializado em gestão de passivos, captação de capital e governança regulatória, competências determinantes para o ciclo de expansão previsto até 2030. O cronograma societário projeta posse efetiva na próxima reunião ordinária, quando serão definidos os presidentes dos comitês de Auditoria, Finanças e Pessoas. Até lá, permanecem inalteradas as projeções de R$ 5,8 bilhões em investimentos orgânicos e a política de distribuição mínima de 50 % do lucro líquido em proventos.