Nubank anunciou a substituição de Guilherme Lago por Rob Livingston no cargo de diretor financeiro em 14 de junho de 2026; a notícia intensificou a pressão sobre as ações, que já acumulavam perdas diante de provisões acima do esperado e expansão da carteira de crédito, mas análise da Empiricus Research aponta que os fundamentos de longo prazo continuam inalterados.
Mudança na diretoria financeira e reação inicial do mercado
No dia do comunicado, os papéis ROXO34 recuaram mais de 4 % na B3, refletindo incertezas sobre a transição da área financeira. Rob Livingston, ex-CFO da Visa North America, assume a posição em um momento em que o banco digital busca consolidar presença nos Estados Unidos. O desligamento de Guilherme Lago, responsável por acompanhar o IPO e os primeiros anos de capital aberto, foi interpretado por parte do mercado como sinal de ajuste estratégico.
Segundo a Empiricus Research, a leitura negativa predominou porque a troca somou-se a outros pontos de atenção já monitorados pelos investidores, ampliando a percepção de risco no curto prazo.
Fatores operacionais que ampliam a cautela
O balanço do 1T26 trouxe provisões para perdas de crédito acima das estimativas do consenso, fator que elevou a preocupação com a qualidade do portfólio. Historicamente, o primeiro trimestre apresenta maior inadimplência devido a despesas sazonais, como IPTU e impostos sobre veículos, contexto confirmado pela instituição.
Além da provisão, o banco mantém ritmo acelerado de concessões: a carteira de crédito avançou 33 % em doze meses, alcançando R$ 90 bilhões. Esse crescimento, ainda que contribua para expansão de receita, pressiona indicadores de risco. Empiricus Research observa, contudo, que a inadimplência consolidada permaneceu em 5,4 %, patamar considerado administrável para o estágio de maturação do modelo.
Outro vetor de volatilidade é o projeto de internacionalização. A operação estadunidense, iniciada em 2022, segue em fase de investimento. Custos de estrutura, licenciamento regulatório e aquisição de clientes comprimem margens no curto prazo, elemento já absorvido nas estimativas da casa de análise.
Perfil do novo CFO e implicações para a estratégia internacional
Rob Livingston acumulou quase duas décadas na Capital One antes de liderar finanças na Visa North America. O executivo traz experiência em crédito ao consumidor, gerenciamento de risco e parcerias com grandes emissores de cartão. Para o Nubank, sua chegada tende a reforçar a governança financeira e acelerar sinergias nos Estados Unidos, mercado no qual a marca já contabiliza 2,5 milhões de clientes.

A Empiricus Research avalia que a mudança é coerente com a ambição de diversificar receitas fora do Brasil. Sob a ótica de investidores globais, a contratação adiciona credibilidade à equipe executiva e pode facilitar diálogos com reguladores norte-americanos.
Indicadores de desempenho sustentam a tese de crescimento
Mesmo com a pressão recente, o banco digital mantém ROE em torno de 30 % e margem financeira bruta de 41 %, valores superiores à média dos pares listados. A base de clientes ultrapassou 100 milhões na América Latina, crescimento de 25 % ano a ano, fator considerado essencial para diluição de custos de aquisição.
No primeiro trimestre, a receita totalizou US$ 2,7 bilhões, avanço de 46 % em base anual. Já o lucro líquido ajustado ficou em US$ 425 milhões, ligeiramente abaixo do consenso, reflexo do aumento nos gastos com provisões e despesas administrativas relativas à expansão internacional.
Conclusão Técnica
A substituição do diretor financeiro intensificou a volatilidade das ações ao coincidir com provisões elevadas e dúvidas sobre a operação nos Estados Unidos. Entretanto, os dados operacionais — ROE perto de 30 %, crescimento sólido da carteira e inadimplência controlada — indicam que a estrutura de rentabilidade permanece intacta. Para a Empiricus Research, a reação adversa concentra-se em fatores conjunturais e não altera a perspectiva de longo prazo para o Nubank. O acompanhamento do desempenho de Rob Livingston nos próximos trimestres, especialmente na frente norte-americana, será determinante para calibrar expectativas acerca da rentabilidade futura e do ritmo de expansão internacional.



