Washington (EUA) – O presidente Donald Trump pediu que emissores de cartões de crédito limitem, por um ano, as taxas de juros a 10% até 20 de janeiro, colocando sob pressão uma das atividades mais lucrativas do setor bancário norte-americano.
A investida veio após uma semana de anúncios voltados ao mercado imobiliário e, desta vez, mira instituições como JPMorgan Chase, Capital One Financial e Citigroup. Nos últimos anos, os juros de cartões nos Estados Unidos superam 20% ao ano, patamar que se transformou em alvo recorrente de parlamentares de diferentes correntes políticas.
Reação dos bancos
Entidades como Bank Policy Institute (BPI) e Consumer Bankers Association divulgaram nota conjunta em tom cauteloso. “Compartilhamos o objetivo de ampliar o crédito acessível, mas um teto de 10% reduziria a oferta e seria devastador para milhões de famílias e pequenos negócios”, afirmaram.
Segundo o Federal Reserve, a taxa média dos cartões permaneceu próxima de 21% no fim de 2025. Nesse nível, quitar um saldo de US$ 10.000 em três anos implica mais de US$ 3.500 em juros. Em contraste, hipotecas fixas de 30 anos giram pouco acima de 6%.
Impacto potencial
Estudo do BPI indica que um limite de 10% poderia cortar linhas de crédito de 14,3 milhões de pessoas, com redução ou encerramento de contas para clientes considerados de maior risco. Ajustes como aumento de anuidades, diminuição de recompensas e encurtamento de promoções de juros zero também são previstos.
Analistas da Bloomberg Intelligence destacam que credores focados em consumidores de renda mais baixa – caso de Capital One, Synchrony Financial e Bread Financial – seriam os mais afetados. Cooperativas de crédito também avaliam a proposta como inviável: “Não haveria como oferecer cartões a 10% para a maioria dos associados”, disse Scott Simpson, da Americas Credit Unions.
Lucratividade em jogo
Os empréstimos sem garantia por cartão geram margens expressivas. Em 2024, o JPMorgan registrou rendimento líquido de 9,73% sobre carteira superior a US$ 200 bilhões, respondendo pela maior parte dos US$ 25,5 bilhões de receita de sua divisão de cartões e automóveis.
Imagem: Simon Dawson via bloomberglinea.com.br
Apesar de repetidos projetos de lei no Congresso americano – incluindo propostas de 15% em 2019 e de 10% em 2023 – nenhuma limitação nacional foi aprovada. Trump, contudo, aposta na pressão pública para acelerar a queda das taxas.
No mercado acionário, o índice KBW Bank, que acompanha 24 grandes instituições, subiu quase 40% desde a vitória eleitoral de Trump em novembro de 2024. A possibilidade de um teto abrupto para os juros, porém, abre espaço para volatilidade, já que os bancos contam com a continuidade dos altos retornos dos cartões.
Com as negociações ainda indefinidas, o setor financeiro se movimenta para preservar margens e evitar mudanças repentinas que possam restringir o crédito ao consumidor.
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Com informações de Bloomberg Línea

