Investidores adotam postura defensiva no derradeiro pregão antes do segundo turno presidencial, agendado para 25 de outubro de 2026. A sessão desta sexta-feira é marcada pela reversão recente das ações da WEG, divulgação do IPCA-15 de outubro e repercussão de pesquisas eleitorais que apontam empate técnico entre Luis Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O Ibovespa encerrou o dia anterior em queda de 1,15%, aos 204.120,12 pontos, e volta a registrar volatilidade diante do aumento da aversão ao risco.
Pressão de blue chips e clima eleitoral derrubam o índice
O desempenho negativo de Vale (VALE3) e dos grandes bancos intensificou a realização de lucros observada no pregão de quinta-feira. A mineradora recuou acompanhando a queda dos futuros do minério de ferro em Dalian, enquanto Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Banco do Brasil (BBAS3) refletiram o aumento das taxas terminais de juros nos Estados Unidos. Somente Vale respondeu por quase um terço dos pontos perdidos pelo Ibovespa.
No cenário doméstico, o empate captado pelo Datafolha ampliou a incerteza em torno da condução das políticas fiscal e monetária após a eleição. A combinação de dólar mais forte e taxas futuras de DI em alta reforçou o movimento de rotação de carteiras para setores menos sensíveis ao ciclo de atividade, reduzindo o apetite pelos segmentos de consumo e construção civil.
Sinal amarelo na indústria: correção em WEG expõe riscos de valuation
WEG (WEGE3) figura entre as maiores quedas da semana depois de renovar máximas históricas no início de outubro. O recuo acumulado já supera 8% em cinco sessões, pressionando o peso da companhia no índice. Analistas apontam três vetores para a correção:
- Valuation esticado: o múltiplo preço/lucro à frente permanecia acima de 35 vezes, superando a média de cinco anos em aproximadamente seis desvios-padrão.
- Rotação setorial: com a indefinição eleitoral, gestores reduzem exposição a papéis de crescimento para reforçar caixa e ativos defensivos.
- Margens sob pressão externa: o fortalecimento do real registrado no terceiro trimestre comprimiu receitas de exportação, fator mencionado em relatórios preliminares de casas de análise.
A desvalorização de WEG funciona como lembrete de que o excesso de confiança pode custar caro ao investidor, sobretudo em momentos de transição política. Ao mesmo tempo, a queda abre discussão sobre potenciais pontos de entrada caso o cenário macro volte a favorecer exportadoras de alto valor agregado.
Inflação e PMIs definem o humor dos mercados globais
O IPCA-15 de outubro registrou variação de 0,15%, abaixo do consenso de 0,19%, mas ainda assim suficiente para levar a alta em 12 meses a 3,88%. O núcleo de serviços, sinalizado como termômetro da demanda interna, manteve avanço de 0,28%, número que reforça prudência do Banco Central em acelerar cortes da taxa Selic.

Nos Estados Unidos, os índices de Gerentes de Compras (PMIs) compostos apontaram desaceleração para 50,4 pontos, contra 50,9 no mês anterior. Na zona do euro, o indicador recuou a 47,8 pontos, sugerindo contração da atividade industrial. A divergência entre economias desenvolvidas sustenta a tese de dólar forte e favorece fluxos para a renda fixa norte-americana, elevando o prêmio de risco exigido para ativos emergentes.
Com as principais bolsas europeias operando em campo negativo e os futuros de Nova York oscilando próximos à estabilidade, a B3 acompanha o movimento de cautela, alinhando volumes reduzidos à espera dos acontecimentos políticos do fim de semana.
Conclusão técnica
O último pregão antes do segundo turno consolida um ambiente de aversão ao risco e de realização de lucros concentrada em ações com desempenho acima da média anual. A queda abrupta de WEG evidencia vulnerabilidades em papéis negociados a prêmios elevados, enquanto o IPCA-15 abaixo do consenso suaviza, mas não elimina, a preocupação com núcleos de inflação ainda resilientes. O desfecho eleitoral no domingo tende a definir o rumo imediato do Ibovespa, influenciando a precificação de juros, câmbio e expectativas de crescimento para 2027. Até lá, operadores preservam liquidez e reforçam posições defensivas, cientes de que o jogo, nos mercados assim como no futebol, só termina quando acaba.



