A expansão dos serviços de água, coleta e tratamento de esgoto nos nove estados da Amazônia Legal pode gerar benefícios socioeconômicos de quase R$ 330 bilhões entre 2025 e 2040. A projeção consta de estudo divulgado nesta terça-feira (16) pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a Ex Ante Consultoria.
O levantamento aponta que a universalização do saneamento na região — formada por Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Pará, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso — trará ganhos diretos com geração de renda, impostos e atividades ligadas ao setor, além de reduzir custos com saúde, aumentar a produtividade do trabalho, valorizar imóveis e impulsionar o turismo.
Déficit persiste
Apesar de avanços desde 2000, os indicadores continuam críticos. Em 2022, 9,4 milhões de moradores não tinham acesso à água tratada e 21,9 milhões viviam sem coleta de esgoto. Apenas 16,8% do esgoto produzido recebeu tratamento, o que resultou no despejo anual de 851 milhões de m³ de resíduos in natura nos rios amazônicos.
Custos e retornos
O estudo calcula R$ 273,7 bilhões em benefícios diretos e R$ 242,9 bilhões em reduções de perdas sociais, totalizando R$ 516,6 bilhões. Desse montante, descontam-se R$ 186,5 bilhões em custos de investimento e gastos adicionais das famílias, resultando no saldo líquido de R$ 330 bilhões.
Após 2040, o impacto acumulado pode atingir R$ 972 bilhões, o que representa retorno de R$ 5,10 para cada real aplicado. Pará (30,4%), Maranhão (19,1%) e Mato Grosso (16,1%) devem concentrar os maiores ganhos líquidos.
Benefício por habitante
Na análise per capita, Rondônia lidera com R$ 1.049 por morador, seguida por Acre (R$ 894) e Amazonas (R$ 817). Entre as capitais, Rio Branco aparece na primeira posição, com R$ 735,93 por habitante; Porto Velho registra R$ 706,14 e Macapá, R$ 650,65.

Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
A presidente do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, avalia que a universalização será decisiva para a qualidade de vida de comunidades tradicionais e populações vulneráveis, além de contribuir para a recuperação ambiental.
Para conhecer outras iniciativas que combinam investimento público e impacto social, visite a seção de Economia do Capital Financeiro.
Com informações de Agência Brasil


