Novo CEO da CSN avalia venda bilionária da CSN Cimentos e ativos na Alemanha para reduzir dívida

Fabio Schwartzman analisa nas próximas semanas a alienação da CSN Cimentos e de operações siderúrgicas na Alemanha, decisões que podem gerar até R$ 12,5 bilhões e se tornar o eixo da estratégia de desalavancagem da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), cujo passivo líquido alcançou R$ 42,1 bilhões no segundo trimestre de 2026.

Mudança de comando acelera plano de desinvestimentos

A chegada de Schwartzman ao cargo de diretor-presidente marca o primeiro rearranjo na liderança da CSN em 24 anos, após a saída de Benjamin Steinbruch. O executivo assume com a missão explícita de reduzir a alavancagem, atualmente em 3,49 vezes, e restaurar a confiança dos investidores. O plano de desinvestimentos já constava do roteiro corporativo, mas ganha prioridade diante das condições de mercado menos favoráveis ao aço e ao minério de ferro, tradicionais motores de caixa do grupo.

A proposta de alienação da divisão de cimento vinha sendo discutida desde 2025, porém a definição foi adiada diversas vezes devido à volatilidade cambial e a ajustes de valuation. Com o quadro financeiro mais pressionado, a companhia passou a considerar a venda simultânea de participações na Europa, onde mantém laminadores de aços planos.

Disputa internacional pelos ativos de cimento

No processo competitivo pela CSN Cimentos, a chinesa Huaxin Cement desponta como favorita depois de estruturar um consórcio com bancos globais para viabilizar uma oferta de R$ 11 bilhões. A transação incluiria fábricas, terminais de distribuição e reservas de calcário instaladas em oito estados brasileiros, totalizando capacidade produtiva superior a 16 milhões de toneladas anuais.

A brasileira Votorantim Cimentos e a italiana Cementir permanecem na disputa, segundo fontes, mas enfrentam maior desafio de financiamento perante a proposta chinesa, que combina dívida em moeda estrangeira de longo prazo com aporte próprio. A consumação do negócio exigirá aprovação do Conselho Adminstrativo de Defesa Econômica (CADE), embora analistas considerem baixa a probabilidade de restrições estruturais, dado o nível de concentração atual do setor.

Alienação de ativos na Alemanha pode reforçar caixa

Paralelamente, Schwartzman avalia a venda de laminações localizadas na Renânia-do-Norte-Vestfália, estimada em R$ 1,5 bilhão. Os ativos europeus, adquiridos em 2012, registram margem operacional inferior à média global da CSN e demandariam investimentos adicionais em descarbonização para cumprir metas de emissões da União Europeia. A liquidação dessas plantas reduziria a exposição cambial e liberaria recursos para o core business no Brasil, de menor custo logístico.

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Avaliação dos bancos e reação do mercado

Relatório do BTG Pactual indica que a nomeação de Schwartzman foi positiva porque amplia a visibilidade do cronograma de desalavancagem. O banco, contudo, pontua que ainda “há pouca clareza” sobre os prazos de execução e a destinação integral dos recursos. Já a XP Investimentos adota postura cautelosa, alegando deterioração do ciclo do minério de ferro e margens comprimidas na siderurgia doméstica, fatores que pressionam a geração de caixa recorrente.

Na primeira sessão após o anúncio de mudanças na liderança, as ações CSNA3 fecharam em alta de 4,7 %, refletindo expectativa de avanços nos desinvestimentos. A precificação implícita desconta parte do valor potencial da CSN Cimentos, o que sugere espaço adicional de valorização caso a operação seja concluída pelos montantes citados.

Conclusão Técnica

A decisão final sobre a alienação da CSN Cimentos e dos ativos na Alemanha deverá ser formalizada até o fim de setembro. Se concretizadas, as vendas podem reduzir a dívida líquida da companhia em cerca de 30 %, além de diminuir custos financeiros anuais. A consolidação dessas transações será acompanhada de perto por credores e agências de rating, que esperam menor alavancagem para revisar perspectivas. Enquanto isso, a CSN mantém negociações paralelas com fornecedores e bancos para alongar vencimentos de curto prazo, reforçando o compromisso de equilibrar o balanço antes de 2028.