Analistas da XP Investimentos identificam um desconto médio de 40% nas ações do setor de saúde e elegem Rede D’Or (RDOR3) e BradSaúde (SAUD3) como os papéis mais bem-posicionados para capturar a retomada em 2026, projetando potencial de valorização de até 35%.
Diagnóstico da XP: fundamentos superam preços de tela
Em relatório inicial de cobertura, a XP sustenta que o mercado permanece ancorado nos desafios recentes — inflação médica elevada, alta utilização dos planos pós-pandemia e juros restritivos — mesmo após sinais claros de normalização operacional. A corretora calcula que, pese a recuperação parcial dos preços, as cotações ainda negociam a 11 x EV/Ebitda, patamar 40% inferior à média histórica do segmento.
Segundo os analistas, hospitais, operadoras e seguradoras entram em 2026 com estruturas mais enxutas, balanços ajustados e eficiência ampliada. Esse cenário marca a transição da Fase I — de choque de custos e margens comprimidas — para a Fase II, caracterizada por competição mais intensa, porém sustentada por geração de caixa robusta.
Rede D’Or: consolidação de ativos e sinergias com SulAmérica
A XP atribui preço-alvo de R$ 45 à Rede D’Or, equivalente a upside de aproximadamente 35% sobre as cotações atuais. A tese combina:
- Liderança setorial: maior rede hospitalar privada do país, com mais de 70 unidades e capacidade de influenciar preços e padrões de atendimento.
- Maturação de investimentos: ciclo de expansão iniciado em 2020 entra agora na fase de captura de sinergias, elevando retorno sobre o capital investido.
- Integração com a SulAmérica: reservas excedentes estimadas em 13 p.p. funcionam como amortecedor de volatilidade em margens futuras.
Para a corretora, a combinação de escala, verticalização e colchão técnico preserva competitividade mesmo sob eventual pressão de preços de procedimentos ou redução da Selic.
BradSaúde: caixa robusto e estrutura corporativa em avaliação
Lançada após reorganização societária, a BradSaúde é vista como candidata a reprecificação quando o mercado precificar totalmente seus atributos. Entre eles, destacam-se:
- Liquidez financeira: aproximadamente R$ 8 bilhões em caixa disponíveis para expansão orgânica, aquisições ou retorno ao acionista.
- Reservas técnicas: excedente de cerca de 8 p.p., garantindo flexibilidade para atravessar oscilações de sinistralidade sem comprometer resultados.
- Diversificação de receita: atuação simultânea em planos de saúde, seguros e prestação hospitalar reduz dependência de um único elo da cadeia.
A XP destaca que o período de price discovery tende a gerar volatilidade, mas deve abrir caminho para gradual convergência de múltiplos aos pares líderes.

Oportunidades adicionais: Dasa, Mater Dei, Hypera e Blau
Além das preferidas, o relatório menciona empresas em processo de virada operacional. A Dasa (DASA3) pode expandir a margem Ebitda em 4,9 p.p. até 2026, impulsionada pela joint venture com a Amil e cortes de despesas. Já a Mater Dei (MATD3) migra de estratégia de aquisição para maximização de ativos existentes, movimento que tende a sustentar crescimento de lucro.
No varejo farmacêutico, Hypera (HYPE3) e Blau (BLAU3) negociam com desconto de cerca de 30% sobre suas médias de valuation. A XP ressalta como gatilho o possível fim de patentes de medicamentos à base de semaglutida, que pode abrir um mercado multibilionário para genéricos e similares.
Riscos monitorados: juros e mercado de trabalho
Apesar do tom otimista, a corretora elenca fatores que podem limitar o rally do setor. Uma queda acentuada da Selic reduziria a remuneração das reservas técnicas — hoje em torno de R$ 50 bilhões —, pressionando a receita financeira. Do lado da demanda, cerca de 80% dos beneficiários de planos estão vinculados a contratos corporativos; assim, eventual esfriamento do emprego formal pode desacelerar a expansão das carteiras.
Além disso, pressões regulatórias sobre reajustes de mensalidades ou mudanças em políticas de ressarcimento ao SUS podem afetar margens, especialmente em operadoras verticalizadas.
Conclusão Técnica
O conjunto de indicadores operacionais, reservas excedentes e expectativa de normalização da sinistralidade sustenta a visão construtiva da XP para o setor de saúde em 2026. Rede D’Or e BradSaúde reúnem escala, liquidez e proteção de margens, posicionando-se como veículos preferenciais para capturar a retomada. Empresas em estágio de turnaround — como Dasa e Mater Dei — e farmacêuticas descontadas ampliam o leque de oportunidades, mas requerem maior tolerância a volatilidade. A trajetória dos juros e do emprego permanece como variável-chave para calibrar expectativas de receita e lucratividade nos próximos trimestres.



