XP recomenda compra do FII Guardian Real Estate (GARE11) e projeta yield de 11,4%, mas alerta para concentração de locatários

XP Investimentos incluiu o fundo imobiliário Guardian Real Estate (GARE11) em sua cobertura com recomendação de compra, preço-alvo de R$ 9,33 e estimativa de dividend yield de 11,4% para os próximos 12 meses, apontando a concentração de 73% da receita em apenas três locatários como o principal fator de cautela.

Fundamentos da Recomendação: previsibilidade de receita e gestão ativa

A corretora baseia a indicação de upside potencial de 6,5% nas cotas em três pilares: previsibilidade dos proventos, qualidade dos imóveis e política de gestão ativa do portfólio. O relatório distribuído aos clientes projeta manutenção de distribuições mensais entre R$ 0,083 e R$ 0,090 por cota, patamar amparado pelo guidance oficial do fundo. Segundo a XP, 88% da receita deriva de contratos atípicos, com multas rescisórias e reajuste anual pelo IPCA, característica que sustenta a estabilidade dos dividendos ao longo do ciclo imobiliário.

Os analistas destacam ainda a adoção de estruturas de fundos exclusivos para deter parte dos imóveis. Como único cotista desses veículos, o GARE11 desfruta de maior flexibilidade em operações de compra e venda, o que pode gerar eficiência tributária — especialmente na mitigação de custos relacionados ao ITBI em determinadas transações.

Histórico de desempenho e evolução do portfólio

Constituído em 2020 com foco inicial em galpões logísticos, o fundo chegou ao mercado com o ticker GALG11. No segundo semestre de 2023, passou a se chamar Guardian Real Estate (GARE11) e adotou mandato híbrido, permitindo alocação em múltiplos segmentos. De lá para cá, o veículo acumulou retorno total de 44,8%, equivalente a 118% do IFIX e 119% do IFIX Tijolo. Os números divulgados pela XP reforçam a capacidade de geração de valor do fundo frente aos principais indicadores de referência do setor.

Em agosto de 2026, a carteira compreendia 34 empreendimentos somando 498 mil m² de Área Bruta Locável (ABL) própria. A receita contratada exibe perfil diversificado por classe de ativo: 57% proveniente de imóveis de renda urbana, 36% de propriedades logísticas e 7% de escritórios. O portfólio encontra-se 100% ocupado, e o prazo médio ponderado dos contratos é de 9,33 anos, indicador que sustenta a visibilidade de fluxo de caixa no longo prazo.

Principais riscos identificados: concentração de receitas e ambiente macroeconômico

Apesar da avaliação positiva, a XP ressalta que os três maiores inquilinos — Grupo Carrefour/Atacadão (41%), BAT/Souza Cruz (19%) e Grupo Pão de Açúcar (13%) — respondem conjuntamente por 73% da receita. Embora os contratos sejam atípicos e de longo prazo, a dependência de poucos pagadores eleva a exposição a eventos de crédito corporativo. No caso do GPA, que atualmente conduz processo de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas, os analistas observam que os sete contratos vigentes possuem vencimentos entre 2038 e 2041, com multas rescisórias que oferecem amortecimento adicional ao fundo.

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O relatório também lista riscos de mercado, relacionados a variações de juros, inflação e ciclos econômicos; risco de gestão, decorrente de eventuais decisões estratégicas que possam afetar a performance; e risco de liquidez, pois operações de maior volume podem alterar significativamente o preço das cotas em ambiente secundário.

Estrutura contratual e possíveis impactos tributários

Segundo a XP, a utilização de SPCs e fundos imobiliários exclusivos para viabilizar aquisições confere ao GARE11 flexibilidade para alienar participações de forma fracionada, reduzindo custos de transferência e ampliando a eficiência fiscal. Essa arquitetura societária pode resultar em economia de ITBI em determinadas jurisdições, mantendo a atratividade do fundo mesmo em cenários de rotatividade moderada de ativos.

Além disso, a predominância de contratos reajustados pelo IPCA assegura correção automática das receitas, protegendo o fluxo de caixa contra pressões inflacionárias. Por outro lado, a indexação pode limitar ganhos reais quando o mercado imobiliário apresenta reajustes superiores ao índice oficial, uma vez que as condições de locação permanecem travadas até o término do período contratual.

Conclusão Técnica: XP Investimentos avalia que o Guardian Real Estate mantém combinação favorável de yield elevado, contratos de longo prazo e governança proativa, fatores que justificam a recomendação de compra e o preço-alvo de R$ 9,33 por cota. A concentração de receita em poucos locatários, sobretudo na exposição de 41% ao Carrefour/Atacadão e de 13% ao GPA em recuperação extrajudicial, permanece como o principal vetor de risco monitorado. Para os próximos 12 meses, a corretora projeta manutenção dos proventos dentro do intervalo indicado pela gestão e observa que eventual diluição de inquilinos dominantes, por meio de novas aquisições ou renegociações, tende a reforçar a resiliência do fluxo de caixa do fundo.

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