Itaú BBA vê potencial de 22% na Direcional após queda gerada pela guerra e indica compra tática

Itaú BBA recomendou a compra das ações da Direcional Engenharia (DIRR3) após os papéis acumularem queda superior a 8% em um mês, reflexo do impacto inflacionário da guerra no Irã, fixando preço-alvo em R$ 16, o que implica potencial de valorização de até 22% frente ao fechamento mais recente.

Contexto da recomendação e parâmetros da operação

O relatório do Itaú BBA, distribuído a clientes institucionais nesta quinta-feira (14), classifica a iniciativa como uma “alocação tática”. A orientação sugere entrada no papel até R$ 13,85, com stop loss em R$ 11,28 e horizonte de saída no preço-alvo de R$ 16,00. No pregão anterior, DIRR3 encerrou negociada a R$ 13,09, traduzindo desconto de 18% em relação à meta projetada pelo banco.

Segundo a análise, a movimentação recente abre espaço para capturar a reversão de parte das perdas provocadas pela percepção de avanço de custos na construção civil, acelerados pela instabilidade geopolítica no Oriente Médio.

Impacto da guerra nos custos de construção e na margem setorial

Desde o início das hostilidades no Irã, o setor de construção civil passou a precificar risco adicional de inflação de insumos, sobretudo aço, cimento e derivados de petróleo. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) já indica tendência de aceleração, alimentando receios de compressão de margens.

No entanto, o Itaú BBA ressalta que a Direcional apresenta buffer superior à média setorial. Projetos com margens brutas historicamente elevadas — acima de 34%, segundo dados do resultado do 1T26 — fornecem proteção parcial contra variações adversas. Além disso, a companhia sustenta estrutura de despesas mais enxuta: despesas gerais e administrativas representam cerca de 7% da receita, contra 10% em concorrentes diretas.

Apesar do posicionamento defensivo, o banco alerta que uma escalada dos custos acima do previsto pode exigir revisões negativas nas estimativas de lucro do setor. O risco-retorno, entretanto, segue favorável dada a magnitude da queda recente do papel.

Instrumentos de proteção financeira e suporte de programas habitacionais

Durante teleconferência de resultados, o CEO Ricardo Gontijo detalhou mecanismos capazes de mitigar pressões inflacionárias. Entre eles, destacam-se mais de R$ 2,7 bilhões em recebíveis indexados majoritariamente ao INCC, distribuídos em R$ 1,8 bilhão na subsidiária Riva e R$ 900 milhões atrelados ao canal pró-soluto da marca Direcional.

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Também pesa a favor da construtora o estoque já lançado de R$ 5 bilhões, cuja precificação pode ser reajustada caso os custos ultrapassem o cenário orçado. Esse mecanismo de repasse assegura resiliência de caixa sem comprometer o cronograma de entrega das obras.

O relatório do Itaú BBA acrescenta que os incentivos em vigor no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), incluindo a possibilidade de suplementação de recursos do FGTS para financiamentos habitacionais, continuam sustentando a demanda por unidades destinadas à faixa de baixa renda — principal nicho da Direcional.

Desempenho recente e métricas de mercado

Entre 14 de abril e 13 de maio, DIRR3 recuou 8,3%, enquanto o índice setorial de construção (ICON) variou –3,4% no mesmo intervalo. O volume médio diário negociado atingiu R$ 55 milhões, refletindo liquidez suficiente para a estratégia sugerida. A companhia vale hoje R$ 5,6 bilhões em valor de mercado, com relação preço/lucro projetada de 10,2 vezes para 2026, inferior à média histórica de 12,8 vezes.

O balanço do 1T26 reportou receita líquida de R$ 1,03 bilhão (+11% ano-a-ano) e lucro líquido de R$ 130 milhões (+9% a/a), ratificando trajetória de crescimento mesmo sob ambiente de juros ainda elevados. A alavancagem líquida manteve-se em 18%, bem abaixo do teto de 30% recomendado pelas casas de análise para construtoras residenciais.

Conclusão técnica

O desconto recente nas ações da Direcional, catalisado pelos temores de inflação de insumos decorrentes da guerra no Irã, levou o Itaú BBA a identificar espaço para ganho tático de até 22% dentro de um intervalo de risco controlado pelo stop loss a R$ 11,28. A recomendação fundamenta-se em margens acima da média setorial, mecanismos de proteção via recebíveis indexados ao INCC e demanda amparada pelo MCMV. O monitoramento constante dos custos de construção permanece imprescindível; caso o avanço supere as projeções, novas revisões de lucro poderão ocorrer, potencialmente limitando parte do upside. Até aqui, entretanto, os indicadores operacionais e financeiros sustentam a tese de recuperação dos papéis no médio prazo.