Tesla Cybertruck fica submerso em lago no Texas durante teste de travessia autorizado pelo próprio motorista

Técnicos do Corpo de Bombeiros de Grapevine, no Texas, retiraram um Tesla Cybertruck do Lago Grapevine na segunda-feira, 20 de maio de 2026, depois que o motorista Jimmy Jack McDaniel conduziu deliberadamente o veículo até a água para avaliar o recurso Wade Mode; o automóvel perdeu tração, desligou e afundou, exigindo resgate imediato.

Sequência dos eventos e operação de resgate

De acordo com o Departamento de Polícia de Grapevine, às 10h47 (horário local) patrulheiros receberam chamado relatando um veículo submerso próximo ao píer público do lado leste do lago. Em menos de 15 minutos, mergulhadores do Grapevine Fire Department chegaram ao ponto indicado e localizaram o Cybertruck a cerca de 12 metros da margem, repousando em fundo lodoso com profundidade aproximada de 1,5 metro.

O passageiro, cujo nome não foi divulgado, abandonou a cabine imediatamente após o desligamento dos sistemas elétricos. Nenhuma lesão foi registrada. Para a remoção, cabos de aço foram fixados no chassi e acoplados a um guincho de 4,5 toneladas. A extração levou 37 minutos. As autoridades confirmaram que não houve vazamento de fluidos contaminantes no espelho d’água.

A ocorrência se encerrou às 12h14 com a liberação da área para uso recreativo normal. O veículo foi encaminhado a um depósito credenciado para perícia e avaliação de danos estruturais.

Detalhamento técnico do Wade Mode e limites operacionais

O manual oficial da Tesla especifica que o Wade Mode permite ao Cybertruck elevar a suspensão pneumática e pressurizar componentes elétricos para travessias rasas. O documento estabelece profundidade máxima recomendada de 32 polegadas (≈81 cm), medida a partir da base do pneu até a lâmina d’água. Situações com corrente superior a 10 km/h ou substrato macio são classificadas como cenário “não seguro”.

Nos testes internos divulgados pela fabricante, o modelo final de produção permaneceu funcional em riachos de até 75 cm durante intervalos inferiores a 90 segundos. A exposição prolongada ao líquido pode comprometer a vedação dos módulos de bateria de 4680 células e do inversor, componentes posicionados a menos de 85 cm do solo na configuração padrão.

Especialistas independentes, como o Instituto de Segurança em Veículos Elétricos (EVSI), ressaltam que variações de densidade do terreno submerso podem elevar o nível de imersão além do limite previsto, forçando a entrada de água nos conectores de alta tensão. Nos Estados Unidos, danos provenientes de uso aquático fora das especificações são classificados como “abuso do produto” e não contemplam reparo gratuito pela garantia limitada de 4 anos ou 80 mil km.

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Consequências legais e implicações para a garantia

O motorista Jimmy Jack McDaniel recebeu três autuações: operação de veículo motorizado em área aquática restrita, ausência de registro de embarcação e infração de segurança náutica. As multas somadas alcançam US$ 1.750, segundo o código de parques da Texas Parks and Wildlife. Além disso, o condutor pode ser responsabilizado por eventuais custos de recuperação ambiental caso perícias futuras comprovem contaminação.

No tocante à cobertura da Tesla, o contrato de garantia exclui explicitamente “qualquer dano decorrente de imersão total ou parcial em líquidos além dos parâmetros do Wade Mode”. Isso significa que substituição de módulos eletrônicos, sistema de suspensão ou painéis corroídos deverá ser custeada integralmente pelo proprietário. Oficinas certificadas estimam reparo superior a US$ 15 mil, dependendo da extensão de oxidação nas placas de circuito.

O caso também reacende debate sobre legislação de homologação aquaviária para veículos terrestres nos EUA. Atualmente, a Administração Nacional de Segurança no Trânsito em Rodovias (NHTSA) não exige certificação específica para travessias de água, deixando a responsabilidade integral para fabricantes e usuários.

Conclusão técnica

O incidente comprova que, embora o Tesla Cybertruck possua funcionalidades destinadas a travessias rasas, a eficácia do Wade Mode depende de condições rigorosamente controladas. A imersão além de 81 cm, aliada a fundo lodoso, resultou na interrupção completa do sistema elétrico e no afundamento do veículo. Jimmy Jack McDaniel enfrenta penalidades administrativas, enquanto o automóvel permanece retido para análise de danos não cobertos pela garantia. Fabricantes de picapes elétricas podem, a partir deste episódio, ser pressionados a revisar orientações de uso e aprimorar sistemas de vedação, sobretudo em mercados onde atividades recreativas aquáticas são comuns. As autoridades locais, por sua vez, estudam ajustes regulatórios para impedir testes não autorizados em corpos d’água públicos, reforçando requisitos de segurança e preservação ambiental.