A expectativa de um acordo diplomático entre Estados Unidos e Irã derrubou o valor do barril de Brent em 17,4% na semana, levando a uma onda vendedora que atingiu Petrobras, ampliou a sequência negativa do Ibovespa e reconfigurou o humor nos mercados globais nesta sexta-feira, 29 de maio de 2026.
Queda acentuada da commodity: números e comparativos históricos
Os contratos mais líquidos do Brent, referência internacional, encerraram o pregão a US$ 91,12, com recuo diário de 1,7%. No panorama semanal, a perda acumulada chegou a 17,4%, equivalente a US$ 19, maior retração em dólares desde março de 2020. No mercado norte-americano, o West Texas Intermediate (WTI) para julho caiu 1,73%, fechando a US$ 87,36; no mês, a desvalorização atingiu 16,8%, a mais acentuada desde novembro de 2021.
Segundo dados da Dow Jones Market Data, a variação mensal do Brent e do WTI superou eventos de choque anteriores relacionados à pandemia e a picos geopolíticos, sinalizando que o mercado já precifica a chance de normalização no fluxo de oferta do Oriente Médio.
Avanço diplomático entre Washington e Teerã redefine expectativas de oferta
As cotações perderam força após novas indicações de proximidade entre Washington e Teerã. Durante a sessão, o presidente dos EUA, Donald Trump, comunicou em sua rede Truth Social a participação em uma reunião decisiva sobre o tema, momento em que o Brent rompeu o piso de US$ 90. Entre os pontos debatidos estão:
- Encerramento do conflito que atinge rotas energéticas estratégicas;
- Possível descongelamento de ativos iranianos bloqueados no exterior;
- Exigência norte-americana de fim do programa nuclear iraniano e reabertura imediata do Estreito de Ormuz, corredor responsável por cerca de 20% do comércio marítimo global de petróleo.
Do lado iraniano, o porta-voz Esmail Baghaei confirmou a troca constante de mensagens, embora sem texto final. Informações do The New York Times apontam que uma reunião de aproximadamente duas horas terminou sem definição conclusiva, mas assessores de alto escalão avaliam o pacto como “iminente”.
Impacto direto sobre Petrobras e desempenho do Ibovespa
Na B3, a queda da commodity refletiu-se imediatamente nos papéis da Petrobras. As ações preferenciais PETR4 recuaram 1,20%, cotadas a R$ 42,00, enquanto as ordinárias PETR3 cederam 1,70%, a R$ 43,73. Na semana, as perdas somaram 5,58% e 6,82%, respectivamente.
Com a pressão de blue chips e maior aversão ao risco, o Ibovespa fechou em 173.787,49 pontos, queda diária de 0,73%. O índice acumulou baixa de 1,38% na semana, completando sete semanas consecutivas de desvalorização — sequência mais longa desde abril-maio de 2004. No mês, o recuo alcançou 7,23%, pior desempenho desde fevereiro de 2023.

Entre os componentes de maior peso, Vale (VALE3) caiu 1,36%, mesmo com a firmeza do minério de ferro na China. No extremo negativo, Minerva (BEEF3) afundou 7,05%, while Totvs (TOTS3) liderou os ganhos, avançando 4,16%.
Mercados globais: reação a risco geopolítico e eventos paralelos
Enquanto a bolsa brasileira permaneceu sob pressão, os índices de Nova York avançaram apoiados na possibilidade de distensão no Oriente Médio. O Dow Jones subiu 0,74% para 51.043,55 pontos, renovando máxima histórica. O S&P 500 ganhou 0,22%, fechando a 7.580,12 pontos; já o Nasdaq valorizou 0,91% para 26.972,62 pontos. Na Europa, o Stoxx 600 avançou 0,14%, enquanto, na Ásia, Nikkei e Hang Seng terminaram em alta de 2,53% e 0,70%, respectivamente.
Paralelamente, investidores monitoraram o conflito na Ucrânia. Durante a madrugada, um ataque com drones provocou incêndio em depósito de combustível na região russa de Yaroslavl, evento que, apesar de grave, não reverteu a tendência de baixa do petróleo, indicando que a precificação dos riscos de oferta segue concentrada no dossiê EUA-Irã.
Conclusão técnica e perspectivas
O movimento de correção de 17% no Brent em apenas cinco sessões ressalta a elevada sensibilidade do mercado a sinais de resolução diplomática no Oriente Médio. Caso o entendimento entre Estados Unidos e Irã seja formalizado, a expectativa é de liberação gradual de barris iranianos, redução dos prêmios de risco logístico no Estreito de Ormuz e possível readequação das metas de produção na próxima reunião da Opep+. Na B3, esse cenário tende a manter pressão sobre Petrobras e segmentos correlacionados, enquanto a trajetória do Ibovespa seguirá condicionada ao fluxo estrangeiro e à percepção de risco doméstico. A volatilidade permanece elevada até que haja confirmação oficial dos termos do eventual acordo.



