UBS BB rebaixa Lojas Renner para neutro e reduz preço-alvo em 25% após balanço fraco

Lojas Renner (LREN3) recebeu corte de recomendação e de preço-alvo pelo UBS BB nesta sexta-feira (14), depois de ver suas ações cederem 17,43% em seis pregões na esteira dos resultados do segundo trimestre de 2026; o banco passou a indicação de compra para neutro e fixou valor justo em R$ 13,50, ante R$ 18, apontando menor potencial de crescimento da varejista de moda.

Balanço do 2T26 desencadeia revisão pessimista

O desencadeador da revisão foi o relatório trimestral divulgado em 7 de agosto. Entre abril e junho, a companhia reportou vendas mais fracas que o previsto e revisou para baixo seu guidance anual. A projeção de alta de faturamento para 2026, antes entre 9% e 13%, passou para 4% a 8%. O UBS BB, em resposta, ajustou a estimativa de receita para crescimento de 4,4%, praticamente o piso do intervalo informado pela empresa.

No lado da rentabilidade, o banco reduziu a projeção de lucro líquido de 2026 em 8,8%, para R$ 1,4 bilhão, e de 2027 em 10,4%, para R$ 1,5 bilhão. Ainda que não veja deterioração estrutural, a equipe de análise avalia que a Renner enfrenta dificuldade para acelerar participação de mercado em um ambiente competitivo mais intenso.

Pressões externas reduzem fluxo e produtividade

Três fatores foram destacados como limitadores de desempenho:

1. Menor penetração de crédito próprio: a multiplicação de provedores de crédito, como fintechs e carteiras digitais, diminuiu a relevância da oferta financeira interna da Renner, historicamente um motor de vendas.

2. Desvalorização cambial: a alta do dólar encareceu parte do portfólio importado e pressionou margens.

3. Concorrência reforçada: plataformas de e-commerce internacionais e varejistas estrangeiras, notadamente Shein, ganharam terreno após o fim da chamada “taxa das blusinhas”, ampliando a competição por preço.

Mesmo com caixa líquido de aproximadamente R$ 1,2 bilhão e histórico robusto de retorno via dividendos e recompra de ações, a produtividade das lojas avançou apenas 2 p.p. acima da inflação em termos de receita e lucro bruto por metro quadrado no trimestre, desempenho considerado insuficiente para justificar múltiplos mais elevados.

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Impactos pontuais: Copa do Mundo e comportamento do consumidor

Durante a teleconferência de resultados, o CEO Fábio Faccio atribuiu parte do recuo nas projeções ao efeito prolongado da Copa do Mundo de 2026. Segundo o executivo, o fluxo de clientes diminuiu não só nos dias de jogos da seleção nacional, mas de meados de junho até 19 de julho, caracterizando a edição “mais prejudicial” para a companhia.

Adicionalmente, a popularização de apps de apostas online redirecionou parte da renda disponível dos consumidores, enquanto o cenário macroeconômico desafiador restringiu o poder de compra das famílias, fatores que, combinados, impactaram o tíquete médio e o giro de mercadorias.

Comparativo setorial e justificativa para recomendação neutra

A Renner detém cerca de 12% de participação de mercado no varejo de moda, percentual significativamente superior a C&A (CEAB3) e Riachuelo (RIAA3). Contudo, o UBS BB pondera que a escala não se converteu em ganhos expressivos de eficiência ou em expansão de margens. Diante disso, os analistas classificam a relação risco-retorno como “equilibrada” aos preços atuais, sem gatilhos claros para rerating.

No relatório, o banco reconhece que a solidez financeira limita a probabilidade de choques adversos severos, mas ressalta a ausência de catalisadores que possam sustentar valorização relevante das ações no curto a médio prazo. A recomendação neutra reflete, assim, o entendimento de que a empresa permanecerá operacionalmente saudável, porém com crescimento modesto versus pares.

Conclusão técnica

O corte de recomendação pelo UBS BB posiciona LREN3 em patamar de observação, com preço-alvo de R$ 13,50 que implica potencial de valorização residual de cerca de 20% sobre o fechamento mais recente, mas sem convicção de superação consistente do setor. Os próximos resultados trimestrais, a evolução da concorrência internacional e a eficácia das iniciativas comerciais serão determinantes para redefinir perspectivas. Até que surjam sinais concretos de aceleração de vendas e recuperação de produtividade, o mercado tende a manter avaliação prudente sobre a varejista.