Santa Rita do Sapucaí confirmou a vocação tecnológica ao reunir 15 mil participantes na 10ª edição do Hacktown, prevista para movimentar R$ 40 milhões na economia local entre 3 e 7 de setembro de 2026, consolidando o município de 40 mil habitantes como um dos principais polos de inovação do país.
Fundamentos históricos: educação técnica como motor do ecossistema
A trajetória de Santa Rita do Sapucaí no setor de alta tecnologia começou em 1959, quando Luzia Rennó Moreira, a Sinhá Moreira, fundou a Escola Técnica de Eletrônica Francisco Moreira da Costa. A instituição, sétima do gênero no mundo, formou profissionais especializados em uma época em que a eletrônica ainda engatinhava no Brasil.
O avanço ganhou novo impulso em 1965 com a criação do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), responsável por introduzir o curso de Engenharia de Telecomunicações e abastecer o mercado com mão de obra qualificada. A combinação de capital humano e incentivo educacional estabeleceu as bases para que o município evoluísse além do agronegócio tradicional.
Valorização empresarial e consolidação do “Vale da Eletrônica”
No final da década de 1980, a administração local lançou o termo “Vale da Eletrônica” para atrair investimentos e recuperar a atividade industrial. A estratégia resultou na instalação de fábricas de componentes, equipamentos de automação e soluções de segurança que, mais tarde, passaram a exportar para diversos mercados.
Atualmente, o município abriga mais de 160 empresas de tecnologia e dezenas de startups, responsáveis por aplicações que abrangem desde câmeras de vigilância e routers para redes 5G até sistemas de TV digital. O segmento divide o protagonismo econômico com o setor de serviços e a produção cafeeira, diluindo riscos setoriais e elevando a arrecadação tributária.
Hacktown 2026: números, abrangência e retorno financeiro
Realizado anualmente desde 2016, o Hacktown transformou-se no principal vetor de visibilidade externa para Santa Rita. A edição de 2026 ocupa padarias, escolas, restaurantes e espaços públicos, promovendo milhares de palestras e atividades voltadas a negócios, cultura e tecnologia.
De acordo com Marcos David, cofundador do festival, o evento injetou R$ 35 milhões na economia local na edição passada e deve atingir R$ 40 milhões neste ano. O montante decorre de hospedagens, alimentação, transporte e contratos temporários, que beneficiam tanto empresas estabelecidas quanto microempreendedores.
O afluxo de visitantes equivale a quase 33 % da população fixa, intensificando a demanda por serviços e impulsionando novas iniciativas em economia criativa, como exposições artísticas, shows e experiências gastronômicas baseadas em produtos regionais.
Expansão do conhecimento e replicabilidade do modelo
Com a consolidação do Hacktown e o amadurecimento das companhias locais, surgem programas de transferência tecnológica que miram cidades de porte semelhante em todo o Brasil. A proposta, segundo os organizadores, é disseminar metodologias de capacitação, incubação e atração de capital de risco para além dos grandes centros urbanos.
Iniciativas de mentoria conectam alunos do Inatel e da Escola Técnica a empreendedores experientes, criando um ciclo de formação contínua. Paralelamente, parcerias com corporações globais, como as firmadas com o Google em 2017, ampliam o alcance internacional dos projetos desenvolvidos na região.
Conclusão técnica
Ao combinar infraestrutura educacional consolidada, ambiente favorável a negócios e um festival de porte internacional, Santa Rita do Sapucaí sustenta um ecossistema capaz de gerar R$ 40 milhões em impacto econômico direto durante apenas cinco dias de evento. A tendência é de crescimento orgânico, apoiado pela diversificação de produtos tecnológicos e pela exportação de conhecimento para outras localidades. Com base nos indicadores atuais, o município apresenta condições para ampliar a base empresarial além das 160 indústrias e startups existentes, reforçando sua posição estratégica no mapa da inovação brasileira.



