O festival Chefs on Fire, considerado o maior evento europeu dedicado à cozinha de fogo, confirmou a inclusão de São Paulo em seu roteiro de expansão internacional para 2027, enquanto a 8ª edição ocorre neste fim de semana em Cascais, Portugal, reunindo 33 chefs titulares, 24 Sóis do Guia Repsol e 13 Estrelas Michelin.
Expansão internacional: estratégia da LOHAD e projeção para o mercado brasileiro
A LOHAD, empresa que detém a marca Chefs on Fire, estruturou um plano de crescimento que prevê a realização de versões fora da Península Ibérica após testes bem-sucedidos em Aveiro, Foz Côa, Almada, Santarém e, mais recentemente, em Madri. Segundo a organização, São Paulo foi escolhida por concentrar um dos maiores polos gastronômicos da América Latina, com alta densidade de restaurantes premiados e público habituado a festivais culinários de larga escala.
O cronograma divulgado indica a execução da etapa paulista em 2027, ainda sem data ou local oficial. Fontes ligadas ao projeto apontam áreas verdes da capital — capazes de receber fogueiras de grande porte e fluxo superior a 10 mil visitantes diários — como pré-requisito logístico. A confirmação final depende de licenças ambientais, patrocínios e transporte de equipamentos especiais, como as estruturas circulares de oito metros de diâmetro usadas para o preparo simultâneo de carnes, peixes e vegetais.
Além da capital paulista, a LOHAD estuda cidades sul-americanas secundárias para etapas complementares, processo que deverá ser concluído até o quarto trimestre de 2026. O modelo de negócio engloba venda antecipada de ingressos, parcerias com produtores locais de lenha certificada e ativações de marca vinculadas à sustentabilidade.
Edição de 2026 em Cascais: recorde de chefs brasileiros e protagonismo feminino
Realizada no Parque Marechal Carmona, a edição portuguesa de 2026 reúne mais de 40 participações ao longo de dois dias. O destaque é a presença de seis chefs nascidos no Brasil — a maioria mulheres — que hoje comandam cozinhas de referência em Portugal:
- Lizandra Almeida apresenta cupim com abóbora na brasa, salada verde e mostarda;
- Angélica Salvador, primeira Estrela Michelin em 2026 pelo restaurante In Diferente, prepara costela de boi em fogo de chão com polenta de milho e vinagrete de ananás;
- Fagner Buzinhani propõe um iwashi yaki sando, sanduíche de sardinha grelhada com influência nipônica;
- Nelson Soares combina casarecce, salsicha, brócolos e pangrattato, conceito já testado na filial carioca do Sult;
- Michele Marques aposta em corações de galinha grelhados, receita ligada à Mercearia Gadanha;
- Nathalie Inês encerra com sobremesa batizada de “alheira doce”.
Somando-se aos colegas portugueses e internacionais, o grupo brasileiro fortalece o diálogo entre técnicas regionais, como o fogo de chão gaúcho, e a tradição ibérica do asado. Para especialistas em eventos gastronômicos, essa troca multidisciplinar prepara terreno para a adaptação da edição paulistana, que deverá mesclar cortes brasileiros de alta procedência e insumos sazonais do Sudeste.

Modelo de experiência: estruturas de fogo, programação cultural e política de ingressos
O conceito do Chefs on Fire baseia-se em cozinhar exclusivamente com lenha, brasas e fumaça, dispensando gás e eletricidade. Nesta edição, sete módulos circulares concentram o calor, dois deles com oito m de diâmetro, um com seis m e quatro com três m. A fim de garantir segurança, cada estação possui equipe de bombeiros civis, exaustão direcionada e piso refratário móvel, requisitos que deverão ser replicados no Brasil.
A experiência ao público inclui:
- Fire School: workshops sobre tipos de madeira, aproveitamento integral de ingredientes e gestão de resíduos;
- Programação musical ao vivo, com curadoria de artistas locais e internacionais;
- Atividades infantis supervisionadas, como oficinas de pão na brasa.
A política de preços em Cascais parte de € 50 pelo ingresso simples, sem consumo, passa pelo bilhete individual de € 85 (cinco pratos + duas bebidas) e chega ao passe de dois dias por € 200 (15 pratos + dez bebidas). Para São Paulo, projeções preliminares indicam faixas equivalentes entre R$ 300 e R$ 1 200, variando conforme câmbio, fornecedores e impostos locais.
Conclusão Técnica
Com a confirmação da etapa paulista para 2027, o Chefs on Fire consolida a transição de festival regional português para circuito global de cozinha ao ar livre. A edição de 2026 em Cascais, marcada pela maior delegação brasileira e forte presença feminina, funciona como laboratório logístico e criativo para o evento no Brasil. Nos próximos meses, a LOHAD deverá fechar parcerias com autoridades municipais, patrocinadores do setor alimentício e fornecedores de infraestrutura resistente ao fogo, etapas necessárias antes do anúncio oficial de local e data. Até lá, chefs e entusiastas acompanham de perto a evolução do calendário, enquanto os dados de público e receita da atual temporada orientarão ajustes finais no formato destinado a São Paulo.