Introdução
Dasa (DASA3) recebeu recomendação de compra do UBS BB, que fixou preço-alvo em R$ 3,90 e estimou potencial de alta de 19,2%, enquanto manteve Rede D’Or (RDOR3) e Bradsaúde (SAUD3) como ações preferenciais por apresentarem margens sólidas, disciplina de capital e perspectiva de dividendos robustos.
Recuperação Operacional da Dasa e Projeções de Receita
Após um ciclo de aquisições que elevou o nível de endividamento, a Dasa iniciou em 2024 um processo de reestruturação focado na divisão de diagnósticos. Segundo o relatório do UBS BB, a unidade responde por parcela significativa do faturamento e tende a crescer acima do mercado nos próximos anos. A projeção da casa é de expansão média de 5,5% ao ano, entre 2025 e 2030, sustentada por três vetores:
1. Avanço do B2B: prestação de serviços laboratoriais para terceiros, ampliando a base de contratos corporativos.
2. Ganho de participação de mercado: captura de clientes de redes independentes em praças estratégicas.
3. Fortalecimento das marcas premium: unidades como Alta Diagnósticos impulsionam o mix de receitas com exames de maior ticket.
Além do crescimento de receita, o banco destaca a redução de despesas administrativas como catalisador de margem. O recuo desses custos deve acelerar a desalavancagem, condição importante para liberar caixa a partir de 2027. A companhia também conta com a Rede Américas, joint venture hospitalar inaugurada em 2025 em parceria com a Amil. Embora ainda esteja em fase inicial de integração, o ativo é considerado potencial gerador de valor adicional.
Análise Comparativa: Rede D’Or como Referência em Procedimentos de Alta Complexidade
Mesmo aprovando a tese de recuperação da Dasa, o UBS BB atribui preferência à Rede D’Or. Com preço-alvo de R$ 48, o papel apresenta margem de valorização de 24,9% sobre o último fechamento apurado no relatório. A justificativa repousa em três pilares:
Escala Hospitalar: a companhia opera a maior rede privada do país, com alta capilaridade e integração logística.
Especialização Clínica: liderança em oncologia e cirurgias complexas, segmentos de demanda crescente no pós-pandemia.
Sinergias de Integração: finalização da incorporação da SulAmérica, concluída em 2022, gera ganhos de cross-sell e diluição de custos médicos.
O banco identifica ainda a joint venture Atlântica D’Or, operada em parceria com a Bradsaúde, como plataforma estratégica para procedimentos de alta especialização em regiões fora dos grandes centros, elevando o fluxo de pacientes de maior tíquete.
Bradsaúde: Destaque em Geração de Caixa e Dividendos
A terceira recomendação do relatório é a Bradsaúde, colocada como principal pagadora de proventos no segmento. O UBS BB estima dividend yield de 7,5% em 2027, ante 4% previstos para 2026, sustentado por:

Geração de Caixa Relevante: operações verticalizadas de planos de saúde populares reduzem custos médicos.
Expansão de Beneficiários: aquisição de carteiras de operadoras regionais amplia escala sem comprometer rentabilidade.
Participação na Atlântica D’Or: exposição indireta a procedimentos complexos complementa o portfólio majoritariamente ambulatorial.
Com preço-alvo apontado em R$ 19, a ação apresenta potencial de valorização de 33,5%. A disciplina de alocação de capital, segundo o banco, deve sustentar pagamentos consistentes aos acionistas, mesmo em cenários de maior volatilidade macroeconômica.
Setor de Saúde em Nova Fase Pós-Pandemia
Os analistas qualificam o momento do setor como “normalização”. Após picos de sinistralidade entre 2020 e 2023, os níveis já retornaram ao padrão histórico, permitindo recomposição de margens. Nesse ambiente, destacam-se três fatores de diferenciação competitiva:
Procedimentos Complexos: maior demanda por terapias oncológicas e cirurgias especializadas favorece empresas com infraestrutura hospitalar robusta.
Eficiência Operacional: automação de processos administrativos e negociação de insumos reduzem custos fixos.
Disciplina de Capital: balanços menos alavancados viabilizam investimentos seletivos e políticas de dividendos estáveis.
Nesse contexto, Rede D’Or e Bradsaúde reúnem características que, na visão do UBS BB, garantem posição de liderança, enquanto a Dasa figura como caso de turnaround com risco-retorno assimétrico.
Conclusão Técnica
O relatório do UBS BB indica que a Dasa exibe evidências concretas de recuperação, refletidas em expansão de receitas na divisão de diagnósticos e redução de despesas administrativas, fatores que justificam o preço-alvo de R$ 3,90. Contudo, o banco mantém Rede D’Or e Bradsaúde como escolhas primárias, sustentadas por liderança em complexidade médica, forte geração de caixa e perspectiva de dividendos crescentes. Para os investidores, o cenário traçado sugere um portfólio balanceado entre crescimento estrutural — representado por RDOR3 —, renda recorrente — provida por SAUD3 — e potencial de recuperação — atribuído a DASA3. A materialização dessas projeções dependerá da evolução do ambiente macroeconômico, da disciplina financeira das companhias e da capacidade de execução de suas respectivas estratégias operacionais até 2030.



