Paranapanema zera 92,3% de passivo do Acordo Global e preserva caixa operacional na recuperação judicial

A produtora de cobre Paranapanema anunciou a quitação de R$ 3,94 bilhões de um passivo de R$ 4,27 bilhões após concluir, em 30 de setembro de 2026, um acordo firmado com 11 credores; a redução de 92,3% decorre do pagamento de R$ 326,3 milhões e da monetização futura de créditos judiciais, mantendo intacto o caixa operacional durante o prazo de três anos previsto para a liquidação total.

Corte bilionário elimina dívida histórica e libera ativos

A operação encerra a maior parte das obrigações originadas no Acordo Global de agosto de 2017, renegociado em 2021 e 2022. Entre os participantes estão Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Cargill, BNP Paribas, Bank of China, ING, Scotiabank, Sumitomo Mitsui Banking Corporation, Zion e BPS.
Do valor total desembolsado, R$ 41 milhões vieram de conta vinculada e R$ 185,3 milhões de saldo judicial referente à cessão anterior de direitos creditórios. Os R$ 100 milhões restantes foram captados via 11ª emissão de debêntures conversíveis, quitadas no dia da comunicação oficial.
Com a conclusão, a companhia recupera a plena disponibilidade de seus ativos operacionais e não operacionais, retirando um entrave que comprometeu capital, liquidez e capacidade de investimento por quase uma década.

Estrutura de pagamento preserva caixa operacional

O saldo remanescente de R$ 327,4 milhões será liquidado exclusivamente por meio da monetização de nove créditos judiciais pertencentes à própria Paranapanema e à controlada CDPC. O cronograma estabelece prazo máximo de três anos; ao término, o débito será considerado extinto mesmo que o valor integral não tenha sido arrecadado.
Essa modelagem impede o uso do fluxo de caixa operacional, elemento crítico para a retomada das atividades industriais e a recomposição do capital de giro. O mecanismo também reduz o risco de descasamento entre receitas correntes e obrigações financeiras de curto prazo.

Indicadores revelam fragilidade patrimonial antes do acordo

Dados do segundo trimestre de 2026 ilustram o descompasso estrutural: dívida bruta de R$ 6,12 bilhões, dívida líquida de R$ 6,08 bilhões — com 99% classificada no curto prazo — e patrimônio líquido negativo em R$ 7,81 bilhões. No mesmo período, caixa e equivalentes somavam apenas R$ 5,4 milhões, além de R$ 41,8 milhões em aplicações financeiras.
O Ebitda positivo de R$ 68,9 milhões, influenciado por reversões de provisões judiciais, não impediu o registro de prejuízo líquido de R$ 285,1 milhões, afetado principalmente pela atualização de juros. O fluxo de caixa operacional permaneceu negativo em R$ 14,9 milhões. Esses números reforçam a necessidade de reorganização profunda da estrutura de capital mesmo após o corte substancial do Acordo Global.

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Plano de recuperação ainda inclui venda de ativos e novo capital

A companhia segue em recuperação judicial desde 2022 e mantém estratégia baseada em quatro eixos: retomada gradual das operações industriais, condições diferenciadas de quitação para credores restantes, alienação seletiva de ativos e obtenção de novos financiamentos.
Somados aos ajustes desta semana, outros acordos fechados em 2026 já extinguiram mais de R$ 5,1 bilhões em passivos, incluídos R$ 849,7 milhões com o Fundo BS, R$ 68,1 milhões com a Axia Energia e R$ 48 milhões com o Banrisul. A administração declara prioridade em ampliar o acesso a capital de giro para sustentar produção, elevar vendas e restaurar margens.

Conclusão técnica

Com a extinção de 92,3% do passivo vinculado ao Acordo Global, a Paranapanema reduz materialmente o risco financeiro de curto prazo e recupera flexibilidade operacional, mas continua exposta a desafios patrimoniais e de liquidez que exigem execução rigorosa do plano de recuperação judicial. O sucesso dependerá da monetização dos créditos judiciais, da venda planejada de ativos e da capacidade de atrair recursos adicionais para capital de giro, elementos que serão monitorados pelos credores e pelo mercado nos próximos trimestres.

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