Ibovespa sobe 4,71% na semana eleitoral; Hapvida lidera ganhos com avanço de 24,6%

O Ibovespa encerrou a última semana antes do primeiro turno das eleições com alta acumulada de 4,71%, impulsionado por forte movimento de compra que deixou apenas oito ações em território negativo entre segunda-feira e sexta-feira.

Rali pré-eleitoral leva índice a 192.114 pontos

Entre 30 de setembro e 4 de outubro, o principal indicador da B3 renovou sucessivas máximas intradiárias até alcançar 192.114,55 pontos. Analistas atribuem o desempenho à formação de posições em opções de compra e à expectativa de valorização adicional após a apuração das urnas, marcada para o pregão de segunda-feira, 5 de outubro. No mês de setembro, já concluído, o índice havia somado ganho de 5,03%, apoiado pela reprecificação das perspectivas para a política fiscal a partir de 2027 e pela retomada do fluxo estrangeiro.

No cenário externo, a cotação do petróleo Brent voltou a superar US$ 100 o barril, refletindo tensões no Oriente Médio, antes de recuar com o anúncio de liberação de estoques de diesel na Europa. Paralelamente, os rendimentos dos Treasuries norte-americanos atingiram novos patamares em 24 anos, reforçando a cautela global. Apesar do ambiente internacional desafiador, o capital estrangeiro direcionado à bolsa brasileira permaneceu positivo.

Hapvida e outros seis papéis registram ganhos de dois dígitos

A principal valorização semanal coube a Hapvida (HAPV3), cujos papéis avançaram 24,60%. A alta foi impulsionada pela notícia de que a operadora de saúde contratou BTG Pactual e XP para avaliar uma potencial operação de sale-leaseback. A estrutura prevê a venda de ativos imobiliários hospitalares a investidores e simultâneo arrendamento de longo prazo, possibilidade que pode levantar até R$ 1,5 bilhão para reforço de caixa.

Outras seis companhias também fecharam a semana com ganhos expressivos: Vamos (VAMO3) 22,48%, Azzas 2154 (AZZA3) 19,29%, Cogna (COGN3) 14,62%, Magazine Luiza (MGLU3) 12,57%, Vivara (VIVA3) 12,21% e C&A (CEAB3) 11,23%. No caso de Azzas 2154, o mercado reagiu positivamente à confirmação da recepção de 15 propostas pela marca Farm Rio. Já Magazine Luiza e Cogna se beneficiaram da percepção de retomada do varejo e do setor educacional, respectivamente.

Entre grandes capitalizações, Banco do Brasil (BBAS3) avançou 9,87%, enquanto Localiza (RENT3) somou 9,47%, refletindo fluxo de investidores institucionais em busca de liquidez e dividendos consistentes.

Poucas quedas; Santander lidera lado negativo

Apenas oito componentes do Ibovespa recuaram na janela semanal. A maior baixa foi de Santander Brasil (SANB11), com variação de -5,58%. A ação já acumula desvalorização de 16,72% em 2026, pressionada por especulações sobre eventual fechamento de capital na B3. Em sequência, Minerva (BEEF3) caiu 5,13%, refletindo ajustes de margem no setor de proteína bovina.

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As demais quedas ficaram com Embraer (EMBR3) -3,22%, Copasa (CSMG3) -2,78%, Suzano (SUZB3) -1,44%, Caixa Seguridade (CXSE3) -0,87%, Tim (TIMS3) -0,32% e Yduqs (YDUQ3) -0,18%. Apesar das perdas, todas mantiveram liquidez normal e não apresentaram eventos corporativos relevantes no período.

Contexto político e macroeconômico sustenta apetite ao risco

Pesquisas eleitorais nacionais seguem indicando disputa acirrada entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Nos mercados preditivos internacionais, o senador aparece com ligeira vantagem. Segundo gestores de fundos, a possibilidade de manutenção de uma agenda considerada pró-mercado favorece apostas em valorização dos ativos locais após a contagem de votos.

Nos indicadores domésticos, a taxa de desemprego nos três meses até agosto caiu para 5,3%, menor nível para o período desde o início da série em 2012. O Caged registrou abertura de 165.827 vagas formais em agosto, melhor resultado em cinco meses, sinalizando tração do mercado de trabalho e, consequentemente, resiliência do consumo interno.

No exterior, o relatório payroll dos Estados Unidos mostrou criação de apenas 29 mil vagas em setembro, número inferior às expectativas. Com isso, as apostas de manutenção da taxa básica do Federal Reserve na próxima reunião foram revisadas para probabilidade de 78%, enquanto a chance de aumento em dezembro permanece acima de 80%. A leitura reforçou o viés de juros elevados por período prolongado, mas não impediu a migração de parte dos recursos para mercados emergentes em busca de rendimento real mais alto.

Conclusão técnica

O avanço de 4,71% do Ibovespa na semana pré-eleitoral e a distribuição concentrada de ganhos em ações de varejo, educação e saúde indicam posicionamento agressivo de investidores em segmentos sensíveis à demanda doméstica. A formação de posições compradas em opções sugere expectativa de continuidade do rali caso o resultado das urnas reduza incertezas políticas. Em paralelo, variáveis macroeconômicas – queda do desemprego, fluxo estrangeiro e preços de commodities – seguem fornecendo suporte estrutural para o índice. A partir do pregão de 5 de outubro, a reação imediata do mercado deverá calibrar a trajetória rumo à barreira psicológica de 200 mil pontos, enquanto eventos externos, como a decisão do Federal Reserve em dezembro, permanecem no radar dos agentes financeiros.

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