Levantamento Datafolha realizado entre 13 e 15 de outubro revela manutenção do empate técnico no segundo turno presidencial de 2026, com Flávio Bolsonaro (PL) alcançando 51% dos votos válidos e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avançando para 49%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Mudança de um ponto percentual reforça disputa equilibrada
O novo recorte estatístico mostra oscilação inversa dos candidatos em comparação à sondagem divulgada uma semana antes. Flávio Bolsonaro recuou de 52% para 51% nos votos válidos, enquanto Lula subiu de 48% para 49%. Nos votos totais – métrica que inclui indecisos, brancos e nulos – o senador registra 47% e o presidente, 45%. A diferença de dois pontos continua configurando empate técnico, pois a margem do estudo é de ±2 p.p.
O Datafolha entrevistou 2 520 eleitores com 16 anos ou mais em 183 municípios. O nível de confiança da amostra é de 95%, indicando que, em 19 de 20 levantamentos semelhantes, o resultado real estaria dentro do intervalo amostral.
Comportamento do eleitorado: indecisão e rejeição
O contingente de indecisos permanece em 2% e outros 6% declararam voto branco, nulo ou abstenção. Esses grupos somados totalizam 8% do eleitorado pesquisado, volume potencial para alterar a ordem de chegada caso se concentre em um único postulante na reta final.
No quesito rejeição, o instituto apurou que Lula é rejeitado por 46% dos entrevistados, patamar idêntico ao registrado após o primeiro turno. Já Flávio Bolsonaro apresenta rejeição de 44%, um ponto acima da rodada de 8 de outubro. A variação situa-se no limite da margem de erro, mas indica percepção levemente menos favorável ao senador desde o início oficial da campanha de segundo turno.
Comparativo com o primeiro turno e trajetória das intenções de voto
Os dados atuais dialogam com o resultado das urnas em 4 de outubro. Na ocasião, Flávio Bolsonaro somou 47,03% dos votos válidos – correspondente a 56 104 503 eleitores –, ao passo que Lula obteve 45,16%, ou 53 879 538 votos. O histórico demonstra estabilidade relativa nas posições, porém a diferença entre os candidatos encolheu de 1,87 p.p. no primeiro turno para apenas 1 p.p. na projeção do segundo.

Desde julho de 2026, o Datafolha divulga séries quinzenais. À época, Flávio liderava com 50% a 43% nos votos válidos. Em agosto, a vantagem caiu para 3 p.p. (50% x 47%). Nas últimas quatro medições, a distância jamais superou dois pontos, consolidando o cenário polarizado.
Fatores de influência e próximos movimentos da campanha
Analistas ouvidos por veículos especializados relacionam o avanço de Lula ao marco econômico divulgado na semana passada, quando o governo anunciou superávit primário de 0,3% do PIB no acumulado do ano. Por outro lado, a equipe de Flávio intensificou a agenda em mercados eleitorais de alta densidade – especialmente Sudeste e Centro-Oeste –, regiões onde o senador sustenta margens superiores a cinco pontos.
Entre os temas que podem impactar a intenção de voto nos últimos 15 dias de campanha, destacam-se:
- Propostas de mobilidade e transporte, após a apresentação de PEC do Passe Livre pelo atual presidente;
- Debates televisionados, agendados para 20 e 27 de outubro, com tempo igual para réplicas e tréplicas;
- Alianças estaduais, sobretudo em colégios eleitorais onde candidatos a governador já foram definidos no primeiro turno.
Conclusão técnica
Os números divulgados confirmam que a disputa permanece estatisticamente indefinida. A diferença de um ponto percentual nos votos válidos é insuficiente para apontar tendência irreversível, principalmente diante de 8% de eleitores que ainda não consolidaram escolha ou declaram voto não válido. A trajetória de oscilação modesta sugere que fatores exógenos – como desempenho em debates, indicadores econômicos de curtíssimo prazo e mobilização de bases regionais – serão determinantes para qualquer mudança significativa no quadro. O Datafolha deve publicar nova rodada na semana que antecede o pleito; até lá, campanhas intensificam esforços em grupos estratégicos para converter indecisos e reduzir rejeição.



