Investidores calibram posições nesta quarta-feira, 21 de outubro de 2026, diante do início oficial da temporada de balanços — liderada pelo resultado do Bradesco previsto para amanhã — e da divulgação da mais recente pesquisa Quaest sobre o segundo turno presidencial, fatores que direcionam preços no Ibovespa, câmbio e curva de juros.
Ritmo de recuperação: indicadores que sustentam a virada do Bradesco
A expectativa concentrada no balanço do Bradesco decorre de sinais de recuperação gradativa observados nos últimos trimestres. Após sucessivos aportes em provisões para perdas de crédito, o banco registrou crescimento de 6,3 % no lucro líquido ajustado entre abril e junho, reforçando a tese de que o pico de inadimplência ficou para trás. Analistas projetam:
- Margem financeira estável na faixa de R$ 18 bilhões, sustentada pelo mix de crédito a pessoas físicas.
- Índice de inadimplência recuando para 5,4 %, contra 5,8 % no trimestre anterior.
- Retorno sobre o patrimônio (ROE) aproximando-se de 13 %, retomando níveis pré-choque de 2024.
O desempenho será avaliado em comparação direta com os pares privados, incluindo Itaú e Santander, que divulgarão resultados na semana subsequente. A consistência desses números define a capacidade do setor bancário de repassar custos de captação mais baixos, após a Selic cair de 11,75 % para 11,25 % ao ano na última reunião do Copom.
Reação imediata: Ibovespa ganha fôlego e fluxo setorial se reorganiza
No pregão de ontem, o Ibovespa avançou 1,57 %, encerrando a sessão em 208.435 pontos. A arrancada de 3 mil pontos em apenas 13 minutos ocorreu após ajustes abruptos em derivativos de curtíssimo prazo, movimento amplificado pelo desmonte de posições vendidas em grandes bancos.
No campo setorial, destacou-se a troca de posições de investidores institucionais: a saída líquida de R$ 1,2 bilhão de Vale foi compensada pela alocação de R$ 1,7 bilhão em Petrobras. Esse redirecionamento reflete:
- Desvalorização de R$ 24 bilhões no valor de mercado da mineradora, impactada pelo encarecimento do frete marítimo ante a alta de 3,8 % no barril de petróleo Brent, que favorece a estatal.
- Recuo de 0,9 % do dólar frente ao real, aliviando pressões sobre custos de importação de combustíveis.
Além disso, a renda fixa corporativa ligada ao agronegócio atravessa realocação expressiva. Emissões de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) caíram mais de 60 % no acumulado do ano, enquanto CPR-F e Fiagro captam recursos recordes, redesenhando a matriz de financiamento do setor.

Termômetro político: leitura da pesquisa Quaest e seus reflexos nos ativos
A nova amostra da Quaest exibiu vantagem de 3 pontos percentuais do candidato Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro dentro da margem de erro. A simetria de cenários estimula ajustes em ativos sensíveis a risco político:
- Taxa do contrato futuro de DI para janeiro de 2031 recuou 11 pontos-base, migrando de 9,79 % para 9,68 % ao ano.
- As blue chips do setor elétrico avançaram, refletindo expectativa de política de dividendos estável sob eventual governo alinhado a pautas socioeconômicas expansionistas.
Operadores destacam que o equilíbrio na disputa reduz volatilidade intradiária, mas mantém viés de cautela. A proximidade do debate televisionado do próximo domingo, tido como último grande evento de massa antes do pleito de 1.º de novembro, deve intensificar a correlação entre sondagens e curva de juros.
Conclusão técnica
Com o fluxo direcionado por dois vetores centrais — os primeiros resultados corporativos e a leitura periódica do quadro eleitoral — o mercado financeiro brasileiro entra em fase de mensuração de riscos. A divulgação do balanço do Bradesco amanhã servirá como balizador para todo o sistema bancário, enquanto sucessivas pesquisas de intenção de voto, incluindo novas rodadas da Quaest, continuarão modulando prêmios de risco nos diferentes classes de ativos. A combinação de indicadores microeconômicos sólidos e cenário político indefinido sugere manutenção de alta seletividade na alocação de capital nas próximas semanas.



