Flávio Bolsonaro mantém vantagem mínima sobre Lula a dois dias do 2º turno, indica pesquisa CNT/MDA

Levantamento CNT/MDA divulgado neste sábado aponta empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva na reta final do segundo turno presidencial, com o senador registrando 46,3 % das intenções de voto e o presidente 45 %, diferença de 1,3 ponto percentual dentro da margem de erro de 2,2 p.p.

Panorama dos números absolutos

A sondagem mais recente, realizada entre 21 e 23 de outubro com 2.032 eleitores em 26 unidades da Federação e no Distrito Federal, confirma a competitividade da disputa. O instituto MDA identifica 5,8 % de entrevistados dispostos a votar em branco ou anular e 2,9 % de indecisos.

Quando considerados apenas os votos válidos — critério que exclui brancos, nulos e indecisos, utilizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para proclamar o resultado oficial —, o placar sobe para 50,7 % a 49,3 % a favor de Flávio Bolsonaro, margem de 1,4 ponto, igualmente enquadrada no intervalo amostral.

Evolução da intenção de voto desde o primeiro turno

A pesquisa anterior do mesmo instituto, divulgada em 16 de outubro, havia mostrado o senador com 46,8 % e Lula com 45,9 %. Nesse intervalo de sete dias, o candidato do PL recuou 0,5 ponto e o petista perdeu 0,9 ponto, ampliando a distância de 0,9 ponto para 1,3 ponto. Ainda assim, a série histórica de levantamentos de diferentes institutos — incluindo Datafolha, Atlas/Bloomberg, Quaest e PoderData/AYA — mostra oscilações dentro dos respectivos erros amostrais, corroborando a classificação de empate técnico.

Desde o primeiro turno, em 4 de outubro, ambos os candidatos buscam captar o voto de eleitores que apoiaram nomes eliminados da corrida presidencial. Flávio Bolsonaro recebeu publicamente o respaldo de dirigentes do Republicanos e ex-presidenciáveis como Douglas Ruas, enquanto Lula reforçou agendas no Palácio da Alvorada e intensificou negociações com partidos de centro e movimentos populares.

Metodologia, margem de erro e intervalo de confiança

O campo de coleta abrangeu entrevistas presenciais entre quarta-feira e sexta-feira, conforme protocolo registrado no TSE sob o número BR-08545/2026. A amostra probabilística estratificada por região, sexo, faixa etária e escolaridade apresenta 95 % de confiança estatística. Dentro desse intervalo, qualquer variação inferior a 2,2 pontos — para mais ou para menos — é estatisticamente irrelevante, razão pela qual o cenário, embora numérico, não configura vantagem consolidada.

Flávio Bolsonaro mantém vantagem mínima sobre Lula a dois dias do 2º turno, indica pesquisa CNT/MDA - Imagem do artigo original

O contratante do estudo é a Confederação Nacional do Transporte (CNT), entidade que mantém série histórica de levantamentos eleitorais com o instituto MDA desde 1998. Os formulários contemplam perguntas de intenção espontânea e estimulada, além de questões sobre avaliação de governo e prioridade de políticas públicas; somente os dados de intenção estimulada foram divulgados nesta rodada.

Influência dos votos brancos, nulos e indecisos

O aumento de 0,9 ponto percentual nos votos brancos e nulos — de 4,9 % para 5,8 % — pode afetar o quociente dos votos válidos, uma vez que a base total do cálculo diminui à medida que crescem abstenções, brancos e nulos. Em 2022, por exemplo, o índice de votos inválidos no segundo turno foi de 5,59 %. Caso a tendência se repita, a disputa pode ser definida por uma fração reduzida do eleitorado efetivamente válido.

Os 2,9 % de indecisos correspondem a aproximadamente 3,1 milhões de eleitores, tomando como referência o eleitorado estimado pelo TSE para 2026. A forma como esse contingente se distribuirá ou se ausentará das urnas permanece o principal fator de volatilidade na reta final.

Conclusão técnica

Com a votação marcada para domingo, 25 de outubro, a pesquisa CNT/MDA consolida a percepção de que o pleito segue indefinido dentro dos limites estatísticos. A diferença de 1,3 ponto nas intenções totais e de 1,4 ponto nos votos válidos, ambas dentro da margem de erro, mantém o quadro de incerteza. Até o encerramento oficial da campanha, às 22h deste sábado, as estratégias de mobilização de indecisos, controle de abstenção e resposta a eventuais fatos de última hora tendem a orientar as agendas de Flávio Bolsonaro e Lula. O resultado final dependerá, portanto, da capacidade de cada candidatura de converter presença nas pesquisas em comparecimento efetivo às urnas.

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