Lucro abaixo do previsto faz Usiminas recuar no Ibovespa apesar da reversão de prejuízo no 3T26

Usiminas registrou lucro líquido de R$ 243 milhões no terceiro trimestre de 2026, revertendo o prejuízo de R$ 3,5 bilhões de um ano antes; mesmo assim, o resultado ficou aquém do consenso de mercado e provocou queda de 3,47 % nas ações, que às 12h05 lideravam as perdas do Ibovespa a R$ 5,28.

Resultados Financeiros do 3T26

A Usiminas apresentou receita líquida de R$ 6,2 bilhões no período, retração de 6 % em relação ao terceiro trimestre de 2025. O Ebitda ajustado alcançou R$ 558 milhões, avanço anual de 29 %, mas 27 % inferior ao trimestre imediatamente anterior. A margem Ebitda ajustada avançou 2 pontos percentuais, passando para 9 %. Apesar desses incrementos, o desempenho ficou cerca de 10 % abaixo das estimativas do BTG Pactual e R$ 37 milhões aquém do consenso de R$ 280 milhões projetado pela Bloomberg para o lucro líquido.

No segmento de siderurgia, o aumento do volume vendido não compensou o crescimento dos custos, sobretudo com carvão, coque, energia e outros insumos industriais. Já a divisão de mineração enfrentou pressão adicional de fretes marítimos elevados e de preços internacionais mais fracos para o minério de ferro.

Reação do Mercado e Avaliação de Analistas

Logo após a divulgação do balanço, as ações preferenciais (USIM5) recuaram 3,47 %, posicionando-se entre as maiores baixas do principal índice da bolsa brasileira. O BTG Pactual classificou o trimestre como “mais fraco do que o esperado”, apontando que o Ebitda ajustado ficou cerca de 10 % abaixo de suas projeções. O banco reiterou recomendação neutra, com preço-alvo em R$ 10, destacando a “visibilidade limitada” para recuperação de curto prazo.

A XP Investimentos adotou tom semelhante. Segundo a corretora, o Ebitda da operação siderúrgica ficou aquém não apenas das estimativas externas, mas também das metas internas, já consideradas conservadoras. A XP citou quatro vetores de risco: juros elevados, atividade doméstica enfraquecida, pressão sobre preços do aço e dinâmica desfavorável para minério de ferro. A casa manteve recomendação neutra, apontando “obstáculos persistentes” para a rentabilidade.

O Banco Safra apontou três fatores principais que pesam sobre a companhia: menor demanda e preços internos mais baixos, custos maiores de matérias-primas (especialmente carvão e coque) e deterioração nas cotações do minério de ferro. O Safra fixou preço-alvo em R$ 8,30 e alertou para potenciais impactos da volatilidade cambial sobre os resultados futuros.

Perspectivas Operacionais para o 4T26

Na conferência de resultados, a administração da Usiminas sinalizou expectativa de deterioração moderada nos números da divisão de aço no último trimestre do ano. A companhia pretende elevar a participação das exportações para atenuar a sazonalidade negativa do mercado interno. No entanto, essa mudança tende a piorar o mix, reduzindo a receita líquida por tonelada.

Lucro abaixo do previsto faz Usiminas recuar no Ibovespa apesar da reversão de prejuízo no 3T26 - Imagem do artigo original

Do lado da mineração, a empresa projeta novo recuo nos volumes embarcados, diante de contratos de frete mais caros e preços internacionais menos favoráveis. O guidance interno aponta que custos de matérias-primas, energia e logística devem permanecer pressionados, limitando a expansão das margens.

Analistas enfatizam ainda o contexto macroeconômico: juros domésticos em patamares elevados, menores estímulos à atividade industrial e incertezas ligadas à demanda global por aço. Esses elementos compõem um cenário no qual revisões positivas de consenso dependem de melhoras nas variáveis externas ou de avanços internos de eficiência.

Fatores Macroeconômicos e Setoriais

O setor siderúrgico brasileiro atravessa um ciclo de sobreoferta global, intensificado pela desaceleração econômica chinesa e pela entrada de capacidade adicional em mercados asiáticos. Paralelamente, o dólar mais forte pressiona custos de matérias-primas cotadas em moeda estrangeira, como o carvão metalúrgico. No front doméstico, a demanda por aço reflete o ritmo mais lento da construção civil e dos investimentos em infraestrutura, segmentos sensíveis ao custo do crédito.

No mercado de minério de ferro, as perspectivas permanecem voláteis. Preços spot oscilaram entre US$ 90 e US$ 115 por tonelada ao longo do trimestre, abaixo das máximas registradas em 2025, enquanto fretes marítimos subiram favorecidos por gargalos logísticos e pelo aumento do custo de bunker. Esse conjunto de variáveis reduz a atratividade das exportações de minério de menor teor, exatamente o perfil predominante no portfólio da Usiminas.

Conclusão Técnica

A divulgação do balanço do 3T26 confirmou a recuperação contábil da Usiminas, mas também evidenciou limites claros para expansão de margens no curto prazo. Costos ainda elevados, demanda doméstica enfraquecida e preços internacionais menos favoráveis compõem um ambiente que deve continuar a tensionar a geração de caixa. Projeções de mercado indicam poucas mudanças significativas antes do primeiro semestre de 2027, enquanto a empresa concentra esforços em otimizar o mix de vendas e conter despesas operacionais. Perspectivas de melhoria dependem de alívio nos custos de matérias-primas e de eventual recuperação da atividade industrial global.

0

Carregando conteúdo…