São Paulo – Um número cada vez maior de espetáculos brasileiros tem escolhido Portugal para a primeira apresentação oficial, impulsionado por plateias cheias, boa recepção da crítica e facilidade de agenda. A tendência é percebida em montagens recentes de artistas como Miguel Falabella, Claudia Raia e Gregorio Duvivier, além de produções luso-brasileiras que circulam nos dois países.
Comédia de Falabella abriu turnê em Lisboa
“Fica Comigo Esta Noite”, protagonizada por Marisa Orth e Miguel Falabella, chegou a São Paulo no fim de julho, mas estreou em Lisboa em outubro do ano passado. A peça passou ainda por outras seis cidades portuguesas. Falabella afirma que quase não foram necessárias adaptações de texto ou ritmo. “Portugal oferece teatros bem equipados, imprensa acolhedora e público interessado”, diz o ator, que pretende repetir o modelo. A montagem segue para o Rio de Janeiro em outubro, com temporada até o fim de novembro.
Menopausa vira tema de serviço público em território luso
Em janeiro, Claudia Raia e Jarbas Homem de Mello lançaram “Menopausa” na capital portuguesa. A escolha, segundo Raia, ocorreu porque o assunto ainda é tabu no país europeu. Foram 67 apresentações em vários municípios, reunindo mais de 70 mil espectadores. A produção ganhou dois cenários – um para Portugal e outro para o Brasil – e passou a se chamar “Cenas da Menopausa” na temporada paulistana, em cartaz até o fim de setembro.
Palavra em comum leva Duvivier ao Teatro Aberto
“O Céu da Língua”, criado por Gregorio Duvivier e dirigido junto com Luciana Paes, partiu da ideia de falar sobre o idioma que une os dois países. O Teatro Aberto, em Lisboa, abriu data três meses após o convite; o prazo serviu de gatilho para finalizar texto e ensaios. Desde então, a montagem percorreu Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, somando mais 70 mil espectadores.
Produtoras alimentam ponte cultural
A temporada europeia de “Fica Comigo Esta Noite” foi articulada pela Plano 6, da portuguesa Ana Rangel, que há anos atua com elencos brasileiros e já havia levado “Os Guardas do Taj”, com Reynaldo Gianecchini e Ricardo Tozzi, a Braga em 2017. A produtora prevê mais duas estreias brasileiras em Portugal no próximo ano.
Outra figura central é Hugo Nobrega, responsável pela chegada de “O Céu da Língua” a Lisboa. Ele afirma que, nos últimos dois anos, a procura por espetáculos brasileiros “explodiu” e muitas sessões lotam com público majoritariamente português.
Motivos para atravessar o Atlântico
Produtores apontam quatro razões principais para a escolha de Portugal: aproximação entre profissionais dos dois lados, calendário mais flexível do que em grandes teatros de São Paulo e Rio, visibilidade na imprensa local e resposta positiva da plateia, considerada calorosa nas cenas de humor.

Imagem: bbc.com
Coproduções em mãos portuguesas e brasileiras
O intercâmbio também gera obras conjuntas. Em 2022, a companhia Teatro Livre apresentou em Lisboa “Mater”, inspirada em “Querida Mamãe”, de Maria Adelaide Amaral; a peça desembarcou no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, em maio deste ano. No mesmo mês, o Rio de Janeiro recebeu “O Filho da Rainha e A Mãe do Rei”, texto de Cássio Junqueira sobre Dona Maria I e Dom João VI, que havia estreado no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, em 2022.
As estreias portuguesas oferecem, portanto, vitrine estratégica para companhias brasileiras, que ajustam linguagem mínima e colhem retorno imediato de público e crítica.
Se você busca mais informações sobre oportunidades de carreira e negócios no setor cultural, visite a seção Oportunidade do nosso site.
Com informações de BBC News Brasil


