Brasília – O Hospital Moinhos de Vento (HMV) deu início ao Projeto Ártemis-Brasil, pesquisa que vai analisar o genoma de pacientes que sofreram acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico. A iniciativa, financiada pelo Ministério da Saúde por meio do Proadi-SUS, pretende identificar variações genéticas associadas ao risco de AVC e à resposta aos tratamentos.
Segundo a neurologista Ana Cláudia de Souza, investigadora principal do estudo, compreender o “manual de instruções” do DNA permitirá, no futuro, desenvolver terapias mais precisas e orientar condutas personalizadas dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). “Além de avaliar o risco de um novo evento, será possível prever como cada organismo reage aos medicamentos”, destacou.
Como o estudo funciona
Onze centros de referência em AVC, distribuídos por todas as regiões do país, já recrutam voluntários. A meta é incluir 1.000 pessoas até dezembro de 2026: 500 que tiveram AVC isquêmico e 500 sem histórico da doença, formando o grupo controle. O primeiro participante foi incluído em novembro de 2025.
Os pesquisadores coletam amostras de sangue para sequenciamento genômico completo. Ao comparar os dois grupos, será possível apontar alterações diretamente ligadas ao desenvolvimento do AVC. Os dados também comporão o Programa Genomas Brasil, que busca ampliar a representação da diversidade genética nacional em estudos internacionais.
Impacto do AVC no país
O AVC isquêmico, causado pela obstrução de uma artéria cerebral por trombo ou êmbolo, responde por 85% dos casos no Brasil. Dados da Rede Brasil AVC indicam 85.427 mortes em 2024, mantendo a doença como principal causa de óbito e incapacidade no país, com média de 11 mortes por hora.
Ana Cláudia lembra que, embora os avanços nas últimas duas décadas – como trombólise e trombectomia mecânica em centros do SUS – tenham melhorado o atendimento agudo, a prevenção continua essencial. “Controlar pressão alta, diabetes, colesterol e adotar hábitos saudáveis ainda é o caminho mais eficaz”, afirmou. A expectativa é que o Projeto Ártemis ajude a refinar essas estratégias, indicando recomendações individualizadas de medicamentos, dieta e atividade física.
Medicina de precisão no SUS
Para a coordenadora, o estudo coloca o Brasil entre os poucos países que investigam, em larga escala, a relação entre fatores genéticos e doenças cerebrovasculares em populações de alta diversidade. Se os resultados forem positivos, o modelo poderá ser estendido a outros países da América Latina.

Imagem: HMV via agenciabrasil.ebc.com.br
Além da produção científica, a iniciativa prevê capacitação de equipes do SUS em genética, aconselhamento genético e conceitos de medicina de precisão, preparando a rede pública para utilizar as descobertas assim que estiverem disponíveis.
Com o avanço do Projeto Ártemis, especialistas acreditam que novas ferramentas de diagnóstico e prevenção personalizadas poderão reduzir a alta carga de mortalidade e incapacidade provocada pelo AVC no Brasil.
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Com informações de Agência Brasil


