O avanço dos meios eletrônicos de pagamento ultrapassou o dinheiro físico em diversos países, entre eles Portugal, mas essa conveniência tem um custo: o uso de cartões de débito ou crédito eleva de forma significativa o volume de compras, apontam pesquisas reunidas pela revista Forbes.
Por que o cartão estimula o consumo
Especialistas em comportamento do consumidor identificam a chamada “dor do pagamento” como fator central. Quando a transação ocorre em dinheiro, a visualização de notas e moedas saindo da carteira provoca sensação imediata de perda, levando à reflexão antes de concluir a compra. No cartão, o ato se resume a um toque ou deslizar, quase sem impacto emocional.
Estudo da Universidade de Purdue quantificou esse efeito: consumidores chegam a desembolsar de 12% a 18% mais quando pagam com cartão em vez de dinheiro vivo. O fenômeno é ainda mais intenso nas compras online, onde o dinheiro sequer está presente fisicamente e o processo de checkout costuma ser instantâneo.
Parcelamento e recompensas diluem percepção de custo
Outro ponto citado pelos pesquisadores é o parcelamento implícito. Ao dividir o valor em prestações, o cérebro percebe o gasto de forma fragmentada, facilitando a aquisição de produtos que seriam considerados caros se fossem pagos à vista.
Além disso, o design dos cartões e os programas de benefícios — como cashback, milhas e pontos — servem de incentivo adicional. Para acumular vantagens, muitos usuários acabam aumentando o ticket médio das compras, ainda que isso comprometa o orçamento familiar.
Efeitos no dia a dia
Em Portugal, famílias relatam dificuldade para controlar despesas quando utilizam cartões, sobretudo em plataformas digitais. A soma de pagamentos “indolores” pode resultar em endividamento e sensação de orçamento sempre no limite.

Imagem: postal.pt
Recomendações de especialistas
Para contornar o problema, consultores financeiros sugerem: estabelecer tetos mensais para o cartão, acompanhar gastos diariamente, reservar quantias em dinheiro para compras de maior valor sempre que possível, usar o cartão apenas para despesas essenciais e revisar faturas com frequência.
Compreender os mecanismos psicológicos que cercam os pagamentos eletrônicos é passo importante para manter o equilíbrio das finanças pessoais. Se você busca mais orientações sobre controle de gastos, confira outros conteúdos de Economia no Capital Financeiro.
Com informações de Postal



