O Brasil atravessa mais uma onda de calor intenso neste verão, com temperaturas acima de 40 °C em pelo menos sete cidades. No Rio de Janeiro, o Complexo do Alemão registrou 42,2 °C, a maior marca do ano, enquanto a sensação térmica alcançou 50 °C em áreas da Zona Norte.
Altas temperaturas em todo o país
Mapas meteorológicos apontam que 2026 já supera o calor de 2025. Em menos de um mês, esta é a segunda sequência de dias extremos. Praias cariocas permanecem lotadas durante o dia e a noite, reflexo da busca por alívio fora de casa.
Impacto nas comunidades
Nas favelas, o calor é potencializado por becos estreitos, ausência de vegetação e telhas de zinco ou amianto que retêm calor. A moradora Margarete Galdino, da Baixada Fluminense, relata que “não dá pra ficar dentro de casa”. Seu filho Fabrício reforça: “Muito calor de rachar”.
Para medir o fenômeno, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima do Rio instalou em setembro uma estação no Alemão que monitora 20 comunidades. O projeto Observatório do Calor, em parceria com a ONG Voz das Comunidades, pretende transformar dados em políticas públicas.
Saúde em risco
A médica Tainara Tapezzini explica que o calor extremo pode provocar desidratação, exaustão, queda de pressão, vômitos e desmaios. Hospitais relatam aumento de atendimentos ligados às altas temperaturas.
Em São Paulo, tendas de hidratação foram montadas em dez pontos da cidade. O pedreiro Marcelo Grego adaptou a rotina: trabalha à noite e descansa de dia para fugir do calor.
Diferentes realidades térmicas
Estudos da Fiocruz mostram que a temperatura média em mais de 1.300 favelas paulistas ultrapassou 40 °C. Em Paraisópolis, o termômetro chegou a 45 °C, enquanto regiões arborizadas do Morumbi marcaram 30 °C. No Alemão, áreas com vegetação ficaram em torno de 34 °C; locais cimentados bateram 47 °C.

Imagem: g1.globo.com
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) projeta ondas de calor mais frequentes e intensas. Dados do Instituto Copernicus indicam que 2023, 2024 e 2025 foram os anos mais quentes da história recente, com elevação média de 1,5 °C em relação ao período pré-industrial.
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Temperaturas extremas, falta de áreas verdes e excesso de concreto evidenciam a urgência de ações públicas e comunitárias diante de um calor que não dá trégua.
Com informações de G1


