Um produto que há pouco mais de duas décadas era distribuído gratuitamente em açougues brasileiros tornou-se fonte de receita milionária. Em 2025, o Brasil faturou US$ 221 milhões com a venda de pé de galinha ao mercado externo, segundo dados do Ministério da Agricultura. A China, que autorizou a compra de carne de frango brasileira em 2009, respondeu pela maior parte desse valor e remunera cerca de US$ 3 mil por tonelada do miúdo.
Escalada de preços no mercado interno
O interesse chinês impulsionou o preço do produto no país. Levantamento do analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, mostra que o quilo do pé de galinha no atacado paulista atingiu média de R$ 5,75 em 2026, alta de 41,3% em relação a 2020. No varejo da capital, o valor já chegou a R$ 14, diz a chef sino-brasileira Jiang Pu, que lembra ter visto o item ser descartado nos açougues quando sua família chegou ao Brasil, em 1998.
China lidera; África do Sul amplia compras
Além de pagar mais, a China é o principal destino do pé de galinha brasileiro. O avanço de 9,5% nas vendas externas de 2025 sobre 2024 ocorreu, sobretudo, pela manutenção da demanda asiática. A África do Sul, segundo maior comprador, remunera em média US$ 2 mil por tonelada, mas quadruplicou as importações em 2025 e desembolsou US$ 49 milhões.
Há, ainda, embarques menores para Hong Kong, Vietnã, Coreia do Sul, Filipinas, Libéria, Serra Leoa, Moçambique e Guiné, reforçando a presença do miúdo em outras culinárias asiáticas e africanas.
Do petisco oriental ao ensopado africano
Na China, o pé de galinha costuma ser consumido como “snack”. O alimento é vendido já temperado, em embalagens individuais, e pode ser encontrado em lojas de rua e máquinas automáticas de metrôs e shoppings. Em reuniões familiares, costuma aparecer como entrada ou em saladas, após a retirada dos ossos, aproveitando o colágeno para dar textura crocante ou engrossar caldos.
Na África do Sul, onde o prato é chamado de walkie-talkie, o preparo é cozido e ensopado, temperado com especiarias como curry e cúrcuma. A receita leva também a cabeça do frango e costuma ser acompanhada por “pap”, uma polenta de milho que complementa a refeição.
Indústria pet amplia demanda doméstica
Além da exportação, o pé de galinha ganhou espaço dentro do país. Segundo Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a indústria de ração para animais de estimação absorve boa parte do produto que não segue para fora, utilizando-o na produção de farinhas.
Imagem: g1.globo.com
Com dois mercados distintos — o gastronômico internacional e o setor pet nacional —, o item que antes era considerado resíduo passou a ter valor significativo ao longo da cadeia produtiva do frango, reforçando a importância da diversificação de destinos para subprodutos agropecuários.
Quer acompanhar outras oportunidades geradas pelo agronegócio? Visite a seção Economia do Capital Financeiro e fique por dentro das últimas movimentações do setor.
O pé de galinha exemplifica como a mudança de hábitos de consumo em diferentes partes do mundo pode transformar completamente a rentabilidade de um produto. Continue acompanhando nossas atualizações para não perder novos destaques do mercado externo.
Com informações de G1


