Americanas enxuga operação: vende 10 lojas do Natural da Terra ao Oba por R$ 69,3 mi e corta prejuízo em 24,8%

Americanas anunciou em 13 de maio de 2026 a alienação de 10 unidades deficitárias da rede Hortifruti Natural da Terra (HNT) no Estado de São Paulo para o Oba Hortifruti, por R$ 69,3 milhões. A transação, firmada no curso normal dos negócios e sujeita à aprovação do Cade, integra o plano de reestruturação que busca otimizar custos após o escândalo contábil revelado em 2023, enquanto a companhia reporta redução de 24,8 % no prejuízo líquido do 1T26.

Venda das unidades e termos financeiros

O acordo estabelece pagamento inicial de R$ 10,395 milhões à vista na data de fechamento, com o saldo de R$ 58,9 milhões quitado em 24 parcelas mensais corrigidas pelo CDI. As lojas envolvidas apresentavam desempenho abaixo da média do portfólio e vinham pressionando margem e caixa. Com a alienação, a companhia elimina despesas fixas ligadas a aluguel, folha de pagamento e logística, direcionando recursos para unidades com maior giro e para o ecossistema digital.

Para o Oba Hortifruti, a aquisição representa expansão imediata de presença física em localizações consolidadas, reduzindo o tempo de maturação de novos pontos de venda. O grupo deverá assumir estoques, contratos de trabalho e adequar processos de abastecimento próprios, iniciativa que ainda depende da análise concorrencial do Cade, passo considerado padrão para operações no varejo alimentar.

Impacto nos resultados do 1T26

No primeiro trimestre encerrado em março, a Americanas apurou receita líquida de R$ 3,1 bilhões, avanço de 20,2 % sobre o mesmo período de 2025. O lucro bruto totalizou R$ 834 milhões, incremento de 16,6 %, enquanto a margem bruta recuou 0,8 p.p., para 27 %, devido ao mix de produtos e maior competitividade promocional.

O prejuízo líquido das operações continuadas foi reduzido para R$ 336 milhões, contra perdas de R$ 447 milhões um ano antes. A melhora resultou de menor despesa operacional, racionalização de estoques e ganhos de sinergia entre canais físicos e digitais. A companhia mantém em paralelo o processo de recuperação judicial aberto em 2024, cujo plano prevê venda de ativos não essenciais, alongamento de dívidas e reforço de capital de giro.

Apesar da retração nas perdas, o fluxo de caixa livre permanece pressionado pelos desembolsos relacionados à reestruturação e pelo ritmo ainda gradual de retomada da margem. O desinvestimento das lojas HNT contribui para aliviar parte dessas exigências, ao transferir obrigações contratuais e desbloquear capital empregado em operações de menor retorno.

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Contexto estratégico e próximos passos

Desde a revelação do déficit contábil estimado em R$ 20 bilhões, a Americanas vem revisando seu portfólio. A venda das unidades HNT segue iniciativas anteriores, como encerramento de centros de distribuição redundantes, renegociação de aluguéis e aceleração do marketplace digital. A gestão atual prioriza:

  • Eficiência de capital: desalocação de recursos de ativos deficitários e reforço de categorias de margem superior.
  • Integração omnicanal: ampliação de serviços de entrega rápida e retirada em loja, com ênfase em análise de dados para precificação dinâmica.
  • Fortalecimento de governança: revisão de controles internos, auditoria independente contínua e reporte frequente a credores e acionistas.

No front regulatório, o Cade avaliará potenciais efeitos concorrenciais da transação, embora o segmento de hortifruti ainda seja fragmentado. Caso aprovado nos termos apresentados, o Oba assume unidades estrategicamente posicionadas em bairros de alta densidade, expandindo market share regional. A incorporação dos pontos deve ocorrer de forma escalonada para evitar interrupções de abastecimento e preservar contratos com produtores locais.

Analistas acompanham o ritmo de execução do plano de desinvestimentos para projetar a sustentabilidade da geração de caixa. O guidance interno divulgado em fevereiro indica metas de redução de despesas administrativas em dois dígitos percentuais até o final do exercício fiscal e alavancagem líquida inferior a 3,0 x EBITDA em 2027.

Conclusão Técnica

A venda de 10 lojas do Natural da Terra ao Oba Hortifruti, por R$ 69,3 milhões, insere-se na estratégia da Americanas de enxugar a estrutura e concentrar recursos em negócios rentáveis. O alívio imediato de caixa e a retirada de unidades deficitárias reforçam a trajetória de redução de prejuízos, evidenciada pelo recuo de 24,8 % nas perdas do 1T26. A efetivação do negócio aguarda a análise do Cade; uma vez concluída, a companhia deverá prosseguir com o cronograma de desinvestimentos e ajustes operacionais previsto no plano de recuperação judicial, enquanto o Oba trabalhará na integração dos novos pontos para impulsionar sua presença no varejo hortifruti paulista.