Banco Central desativa fases iniciais do Drex, mas mantém projeto com nova tecnologia

Brasília – O Banco Central (BC) desligará nesta semana as duas primeiras fases do Drex, programa piloto voltado à tokenização de ativos financeiros, após decidir suspender, por ora, o uso da tecnologia de registro distribuído (DLT) nas próximas etapas.

Apesar da mudança, a autarquia assegura que o projeto continua. A terceira fase está prevista para 2026 e terá foco na conciliação de gravames, permitindo que ativos custodiados em corretoras sejam oferecidos como garantia em operações de crédito. A solução, contudo, não utilizará DLT, base das blockchains que sustentam criptomoedas.

Motivo da mudança

Segundo o BC, os testes realizados com 16 consórcios – formados principalmente por bancos ligados à Rede do Sistema Financeiro Nacional (RSFN) – indicaram dificuldades em conciliar sigilo das transações com a transparência exigida pelo regulador. As alternativas avaliadas não atenderam plenamente aos requisitos de segurança e rastreabilidade necessários para a fase de entrega.

Participação do setor bancário

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirmou que o Drex “segue de pé”, ainda que em novos moldes. A entidade permanece no Acordo de Cooperação Técnica (ACT) que dá suporte ao desenvolvimento da plataforma.

Oportunidades para o mercado privado

Para Carlos Netto, presidente da fornecedora de tecnologia financeira Matera, o recuo do BC abre espaço para iniciativas privadas em tokenização e stablecoins. “Quando criou o Pix, o Banco Central esperou quase dez anos por uma solução do mercado. No vazio, acabou entregando ele mesmo. Vamos esperar de novo o Drex ou agir?”, indagou.

Próximos passos

Embora ressalte que não abandonou definitivamente a DLT, o BC prioriza a redução do custo do crédito – um dos objetivos centrais do Drex – e avalia que a adoção de outra arquitetura tecnológica pode acelerar esse resultado.

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Imagem: GettyImages via valor.globo.com

Até o fechamento desta reportagem, o Banco Central não comentou oficialmente a desativação das primeiras fases.

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Com informações de Valor Econômico