Bancos dos EUA temem retração de crédito com plano de Trump de limitar juro de cartão a 10%

Executivos de alguns dos maiores bancos dos Estados Unidos afirmaram, durante a temporada de divulgação de resultados trimestrais, que a proposta do ex-presidente Donald Trump de fixar em 10% o teto das taxas de juros cobradas em cartões de crédito pode reduzir a oferta de crédito e impactar a atividade econômica.

O assunto ganhou força depois que Trump declarou, na semana passada, que os americanos “estão sendo explorados” por encargos elevados e que pretende, por um período de um ano, limitar os juros a dois dígitos, com início já em 20 de janeiro. O republicano ainda não detalhou a forma de implementação do plano.

Preocupação compartilhada por grandes instituições

Em teleconferência com analistas, o presidente-executivo do Bank of America (BofA), Brian Moynihan, disse que a discussão expõe “possíveis consequências não intencionais”. “Quando se baixa o teto, restringe-se o crédito; menos pessoas conseguem cartão e os limites diminuem”, afirmou.

No J.P. Morgan, o diretor financeiro Jeremy Barnum avaliou que um limite temporário “alteraria drasticamente o cenário” e afetaria justamente os consumidores mais dependentes desse tipo de financiamento. “Haveria perda ampla de acesso ao crédito, o que é bastante negativo para os clientes”, pontuou, acrescentando que a medida também prejudicaria os resultados do banco e a economia de forma geral.

O Citigroup adotou tom de cautela. Para o CFO Mark Mason, faltam detalhes para estimar impactos, mas ele deixou claro que o grupo “não apoiaria” um teto para juros. “Isso restringiria o acesso a quem mais precisa e poderia ter efeito deletério sobre a economia”, observou.

Já o diretor financeiro do Wells Fargo, Mike Santomassimo, ressaltou que qualquer proposta precisa ser analisada “com cuidado” antes de conclusões. “Ainda é cedo; não há informações suficientes para comentar impactos específicos, mas certamente afetaria a disponibilidade de crédito”, disse.

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Bancos defendem opções já existentes

Moynihan lembrou que o BofA criou produtos com estrutura de juros mais baixa para ampliar o alcance do crédito. “Somos a favor da acessibilidade, mas isso precisa vir junto com oferta efetiva”, reforçou.

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Imagem: Ryan Sun via valor.globo.com

Entidades do setor financeiro também advertiram que um teto pode levar as instituições a encolher carteiras de cartão de crédito ou rever limites atuais, movimentação que, na prática, atingiria em cheio os consumidores de menor renda.

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Em resumo, os bancos aguardam detalhes do projeto antes de estimar impactos concretos, mas sinalizam que, da forma apresentada, o limite de 10% tende a reduzir o acesso ao crédito e a afetar seus negócios. A proposta ainda não chegou ao Congresso americano.

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Com informações de Valor Econômico

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