Belém (PA) – Mais de mil pessoas ocuparam as ruas do centro histórico da capital paraense, no domingo (11), em uma aula ao ar livre sobre a Cabanagem, revolta popular que marcou o Grão-Pará em 1835. A iniciativa antecedeu o aniversário de 410 anos da cidade, celebrado nesta segunda-feira (12).
Conduzida pelo historiador Michel Pinho, a atividade partiu do Complexo dos Mercedários e percorreu prédios, praças e vias diretamente ligados ao conflito do século XIX. Munido de um megafone e de um banco improvisado como púlpito, Pinho transformou fachadas históricas em quadro-negro para explicar as causas, os desdobramentos e o legado da revolução.
Revolta popular de grande alcance
A Cabanagem eclodiu em 7 de janeiro de 1835, durante o período regencial do Império, quando índios, negros, mestiços, ribeirinhos, pessoas escravizadas e parte da elite local — insatisfeitos com a concentração de poder no Rio de Janeiro — tomaram o Palácio do Governo e depuseram o então presidente da província, Bernardo Lobo de Sousa, morto na ação.
O movimento expandiu-se rapidamente pelos rios amazônicos, chegando a áreas que hoje pertencem ao Amazonas e ao Acre. Lideranças como Félix Clemente Malcher, Eduardo Angelim e os irmãos Francisco e Antônio Vinagre controlaram a mais extensa província brasileira da época. Estimativas indicam a morte de mais de 30 mil pessoas, impacto que levou décadas para ser absorvido demograficamente.
“Provocação histórica” em ano eleitoral
Para Pinho, escolher a Cabanagem como tema em 2026 — ano de eleições municipais — é um ato de provocação. “Política e luta social fazem parte da nossa história”, disse. Ele defende que o episódio ainda é subestimado nos livros didáticos, onde recebe poucas linhas em comparação a revoltas menores ocorridas no Sudeste.
A historiadora Magda Ricci, que estuda o período, reforça a leitura de que a Cabanagem foi uma revolução social. Segundo ela, cabanos reivindicavam participação política direta, como ocupar cargos de vereador, e radicalizaram após a negativa do poder central.

Imagem: g1.globo.com
Memória e pertencimento
Ao transformar a cidade em sala de aula, a caminhada buscou recolocar o Norte na narrativa nacional. “Meus alunos não estão sentados; eles estão andando. Eu não tenho quadro, eu tenho prédio”, afirmou Pinho, ressaltando que ensinar história é também um ato político de ocupação do espaço público.
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Com informações de G1


