O bitcoin voltou à faixa de US$ 72.000 nesta quinta-feira (20) depois de avançar cerca de 20% em menos de 24 horas, movimento atribuído à liquidação de contratos futuros, à ampliação das recompras de títulos de longo prazo pelo Tesouro norte-americano e ao recuo do índice DXY, que mede a força global do dólar.
1. Liquidação de US$ 2 bilhões em derivativos aciona compras forçadas
Segundo dados de mercado, mais de US$ 2 bilhões em posições vendidas de contratos futuros de bitcoin (BTC) foram encerradas entre o fim da tarde de quarta-feira (19) e a madrugada desta quinta (20). A predominância de traders apostando na queda obrigou a recompra imediata do ativo para cobertura de margem, desencadeando um efeito de alta em cadeia.
Esse tipo de liquidação, conhecido como short squeeze, eleva a demanda em um intervalo curto de tempo. Plataformas de negociação relataram picos acima de US$ 5 bilhões em volume agregado no par BTC-dólar, superando a média diária dos últimos dois meses. O movimento contrastou com o período de volatilidade contida observado desde junho, quando o valor de mercado do bitcoin oscilava entre US$ 58 mil e US$ 61 mil.
2. Tesouro dos EUA amplia recompras e injeta liquidez de longo prazo
Em comunicado publicado na quarta-feira, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos informou que dobrará, entre 9 de setembro e 4 de novembro, o volume de títulos de 10 a 30 anos que serão recomprados no mercado secundário. A operação permitirá retirar papéis de maior duration das mãos de investidores, oferecendo liquidez adicional estimada em US$ 120 bilhões no período, conforme projeções de bancos primários.
Historicamente, expansões de liquidez estimulam a busca por ativos de retorno potencialmente superior, como as criptomoedas. A notícia foi divulgada um dia depois de uma venda expressiva de Treasuries que pressionou os rendimentos de longo prazo. Com o anúncio, a taxa do título de 30 anos recuou de 4,66% para 4,54% no fim do pregão, aliviando parte da preocupação com a inflação norte-americana e o debate fiscal em Washington.
3. Dólar cede 0,9% e favorece ativos de risco ao redor do mundo
O DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes, retraiu 0,9% e fechou em 97,9 pontos, menor nível desde o início de julho. A depreciação da moeda norte-americana refletiu a combinação de menor prêmio nas Treasuries e expectativa de fluxos externos para economias emergentes. Em paralelo, os contratos de petróleo Brent recuaram 1,7%, reduzindo pressões inflacionárias globais e reforçando o apetite por risco.
Criptomoedas com menor capitalização acompanharam a tendência: ether (ETH) subiu 9%, solana (SOL) avançou 11% e polygon (MATIC) registrou alta de 8%. O valor de mercado total do segmento atingiu US$ 1,9 trilhão, recuperando aproximadamente US$ 230 bilhões em capitalização desde a semana anterior.
Conclusão Técnica
A conjugação de liquidações em derivativos, incremento de liquidez via Tesouro norte-americano e enfraquecimento do dólar restabeleceu o bitcoin ao patamar de US$ 72 mil, nível não observado desde abril. Analistas monitoram a permanência do preço acima da média móvel de 90 dias — atualmente em US$ 67.500 — como suporte para novas tentativas de teste do recorde histórico de US$ 74.850. A curto prazo, a atenção recai sobre: (1) o ritmo de recompras do Tesouro; (2) eventuais novos short squeezes em plataformas de derivativos; e (3) dados macroeconômicos norte-americanos que possam alterar a trajetória do dólar. Esses vetores definirão se o impulso recente convergirá para consolidação ou para uma correção de realização de lucros.



