Bradesco BBI recalibra números, mas reafirma potencial da Rede D’Or (RDOR3) até 2027

O Bradesco BBI reduziu preço-alvo, margens projetadas e lucro estimado da Rede D’Or para os exercícios de 2026 e 2027, mas manteve recomendação de compra ao destacar escala hospitalar, ativos de alta qualidade e um colchão de provisões que pode destravar valor adicional no segmento de seguros.

Projeções ajustadas: menos velocidade, mesma direção

Após a divulgação do resultado do primeiro trimestre de 2026, o Bradesco BBI revisou cenários. O preço-alvo de RDOR3 passou de R$ 44 para R$ 42, valor que ainda implica potencial de valorização de 23 % sobre o último fechamento. O lucro líquido ajustado esperado para 2026 caiu 8 %, para R$ 4,8 bilhões; para 2027, a projeção encolheu 6 %, para R$ 5,8 bilhões.

Segundo o relatório, a revisão incorpora: (i) margem EBITDA hospitalar agora estimada em 24,6 % em 2026, avanço mais lento do que o inicialmente previsto; (ii) despesas financeiras líquidas maiores, consequência de endividamento elevado e juros persistentes; e (iii) alíquota efetiva de imposto revista para 24 %, acréscimo de um ponto percentual.

Mesmo com parâmetros mais conservadores, o banco ressalta que a companhia segue como “uma das teses de maior qualidade do setor de saúde”, sustentada por expansão orgânica de leitos, sinergias operacionais e capacidade de precificação em grandes centros urbanos.

Mercado reage e acompanha trajetória das ações

No pregão de 20 de maio, RDOR3 avançava 3,61 %, cotada a R$ 35,33, recuperando parte das perdas acumuladas de cerca de 14 % em 2026. A correção recente manteve o papel negociado a múltiplos ainda superiores aos de pares regionais, porém em níveis considerados “atrativos” pelos analistas, dada a perspectiva de geração de caixa de longo prazo.

O coração da tese permanece na divisão hospitalar, responsável pela maior parcela da receita. A rede projeta entregar novos complexos em praças de alta demanda, estratégia que, mesmo sob pressões inflacionárias de insumos médicos, deve ampliar a receita média por paciente. O relatório destaca que cada ponto percentual de expansão na margem hospitalar adicionaria aproximadamente R$ 150 milhões ao EBITDA anual.

SulAmérica: sinistralidade como vetor de assimetria positiva

Na avaliação do BBI, o principal diferencial competitivo pode emergir fora dos hospitais. A seguradora SulAmérica, incorporada pela Rede D’Or, mantém provisão de IBNR acima da média histórica, criando um “colchão” que pode reduzir a volatilidade da sinistralidade (Medical Loss Ratio – MLR).

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O banco prevê queda de 1,2 p.p. na sinistralidade em 2026, para 78,3 %. Cada recuo de 1 p.p. tem potencial de acrescentar cerca de R$ 200 milhões ao lucro do período, incremento equivalente a 4 %. Esse alívio pode compensar parcialmente a pressão dos juros sobre o resultado financeiro, reforçando a convicção de que a integração vertical continuará a gerar sinergias.

Contexto setorial e valuation

O setor de saúde suplementar enfrenta custos médicos acima da inflação geral e renegociações complexas com operadoras. A Rede D’Or se beneficia de escala operacional, portfólio geograficamente diversificado e poder de barganha com fornecedores, fatores que atenuam pressões de custos.

Em termos de valuation, mesmo após o ajuste, o múltiplo preço/lucro projetado para 2026 situa-se próximo a 22 x, nível elevado em relação ao índice setorial, porém justificado, segundo o banco, pela combinação de crescimento estrutural e retorno sobre capital empregado acima da média.

Os analistas também enfatizam o perfil defensivo do fluxo de caixa hospitalar, historicamente resiliente a ciclos econômicos. A disponibilidade de ativos de alta complexidade em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro proporciona barreiras de entrada significativas a novos concorrentes, elemento considerado chave na tese de investimento.

Conclusão Técnica: as revisões do Bradesco BBI refletem cenário macro mais restritivo e margens hospitalares sob pressão, mas não alteram o núcleo da tese: crescimento orgânico sustentado, sinergias com a carteira de seguros e valorização potencial da ação. A manutenção da recomendação de compra indica que, mesmo com ajustes, a Rede D’Or permanece posicionada para capturar ganhos de eficiência e expansão de rentabilidade até 2027, desde que execute o pipeline de projetos e controle a sinistralidade conforme projetado.