Michelin aposenta Estrela Verde e lança Mindful Voices para ampliar reconhecimento de inovação sustentável

O Guia Michelin confirmou o encerramento da distinção Estrela Verde e apresentou a plataforma Mindful Voices, iniciativa que passa a contemplar inovação em gastronomia, hotelaria e vinhos a partir de 1º de junho, em Copenhague.

Fim da Estrela Verde: cronologia e justificativas oficiais

Instituída em 2020, a Estrela Verde reconheceu mais de 500 restaurantes que adotam práticas ambientais avançadas, entre eles A Casa do Porco, Tuju e Corrutela, no Brasil. Rumores sobre a extinção do selo começaram há sete meses, quando o jornalista Nicholas Gill identificou a retirada do ícone das plataformas digitais do guia e de algumas cerimônias regionais. Na ocasião, a organização negou a mudança, alegando “atualização de sistema”.

A confirmação veio em pronunciamento publicado no site oficial na última segunda-feira. O diretor internacional, Gwendal Poullennec, afirmou que a decisão é consequência de “novos encontros e experiências presenciadas pelos inspetores”, indicando necessidade de ampliação de escopo. Segundo o executivo, a transição foi desenhada para “revelar quem está reescrevendo as regras em suas respectivas áreas”.

Mindful Voices: abrangência, critérios e integração com outras honrarias

Mindful Voices surge como uma plataforma global voltada a projetos pioneiros em sustentabilidade, pesquisa social e inovação operacional. Diferentemente da Estrela Verde, limitada a restaurantes, o novo programa inclui também hotéis e produtores de vinho, alinhando-se às distinções Chaves Michelin (hotelaria) e Uvas Michelin (vitivinicultura) anunciadas em 2025. A curadoria continuará a cargo do corpo de inspetores do guia, que passará a observar indicadores de impacto ambiental mensurável, gestão circular de insumos e transparência na cadeia de valor.

A entrega dos reconhecimentos seguirá o calendário regional das cerimônias anuais. O primeiro anúncio oficial está agendado para o evento dos Países Nórdicos, em 1º de junho, e servirá como teste de adoção global. Fontes próximas à organização indicam que a seleção desta rodada já foi concluída, contemplando cerca de 40 cases em gastronomia, 15 em hotelaria e 10 na indústria do vinho.

Repercussão brasileira: visão de chefs premiados

No Brasil, a notícia foi recebida com cauteloso otimismo. O chef Renato Mello, do Corrutela — restaurante que dispõe de compostagem própria, painéis solares e monitoramento de procedência de proteínas — avaliou a mudança como “evolução natural” que pode “inspirar outros setores a integrarem boas práticas”. Mello reforçou que o compromisso do estabelecimento com preços justos e excelência culinária permanece “independente de selos”.

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Já a sócia e diretora de pesquisa do Tuju, Katherina Cordás, classificou o novo formato como “democrático”, pois abre espaço para profissionais individuais, pesquisadores e produtores. O Tuju mantém três Estrelas Vermelhas e foi agraciado com a Estrela Verde por ações de compostagem avançada, otimização energética e visibilidade a fornecedores de manejo ético. Para Cordás, a transição “reforça a urgência de integrar sustentabilidade a todas as etapas da cadeia”, sobretudo em países emergentes.

Próximas etapas e possíveis impactos no mercado gastronômico

A aposentadoria da Estrela Verde encerra um ciclo de seis anos em que o guia buscou sinalizar boas práticas ambientais de restaurantes. Com a chegada de Mindful Voices, espera-se aumento de competitividade entre estabelecimentos de hospitalidade que desejam destaque internacional, pressionando cadeias de fornecimento a adotar métricas de carbono, energia renovável e gestão de resíduos.

Analistas do setor preveem que a nova plataforma reduza a fragmentação de certificações ao concentrar em um único selo multidisciplinar a chancela de autoridade do Michelin. Para os restaurantes já premiados, o impacto direto será a necessidade de reenquadrar projetos para atender aos novos critérios transversais. Na hotelaria de luxo, a oportunidade reside em associar a marca Chaves Michelin a práticas ESG verificáveis, potencializando preços-prêmio e atração de turistas de alto poder aquisitivo.

Conclusão Técnica

Com o anúncio oficial, o Guia Michelin dá fim à Estrela Verde e inaugura a plataforma Mindful Voices, expandindo seu raio de reconhecimento para hotelaria e vinhos. A troca de foco reflete a estratégia de unificar selos sob um guarda-chuva de inovação sustentável, fortalecendo a reputação do guia como observador de tendências além da gastronomia. O lançamento em 1º de junho servirá como prova de conceito; a partir daí, restaurantes, hotéis e vinícolas interessados deverão submeter evidências de impacto socioambiental mensurável para avaliação contínua.