O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou nesta sexta-feira (6) que os investidores cobram resultados mais duros do que o próprio conselho de administração do banco. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa sobre os números do quarto trimestre de 2025.
“O mercado aumenta a bitola na hora de tirar sangue a cada trimestre”, disse Noronha, referindo-se às expectativas de crescimento acelerado do lucro. Segundo ele, parte dos analistas já projeta R$ 30 bilhões de lucro líquido em 2026, o que representaria avanço anual de 30%. “Não vamos sacrificar competitividade para entregar esse ritmo”, completou.
Impacto imediato nas ações
Com a frustração de parte dessas projeções, o executivo avaliou que as ações do Bradesco podem sofrer ajustes no pregão de hoje. “Provavelmente o mercado devolve alguma coisa”, admitiu, ressaltando que o banco continuará perseguindo eficiência, mas “com o pé no chão”.
Foco em tecnologia, mesmo com pressão sobre o resultado
Noronha reafirmou que o Bradesco manterá o ciclo de investimentos em tecnologia para ampliar a competitividade, ainda que isso pese nos resultados de curto prazo. “Não vamos abrir mão de investimento por nada”, ressaltou.
Guidance para crédito mais ousado que o do Itaú
Para 2026, o banco prevê avanço expressivo da carteira de crédito. No curto prazo, o guidance oficial indica crescimento de 8,5% a 10,5% em 2025, intervalo superior ao divulgado pelo Itaú (5,5% a 9,5%). “Vemos tração comercial e possibilidade de ganhar participação em linhas específicas”, afirmou.
Ganhos nas pequenas e médias empresas
Entre fevereiro de 2024 e setembro de 2025, o Bradesco elevou em 2,3 pontos percentuais sua fatia no mercado de crédito para pequenas e médias empresas (PMEs). “Eu dizia que íamos crescer em PMEs e tinha gente que duvidava”, lembrou o executivo.
Ao comentar a trajetória dos próximos trimestres, Noronha disse que pretende manter a disciplina: “Se pudermos acelerar mais um ou dois trimestres, faremos; caso contrário, preservamos a estratégia”.
O Bradesco sustenta que a combinação de investimentos em tecnologia, expansão da carteira de crédito e ganhos de participação deve sustentar a rentabilidade de longo prazo, ainda que o mercado siga pressionando por metas mais ambiciosas.
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Com informações de Valor Econômico



