Foz do Iguaçu (PR) – O governo brasileiro optou por não endossar o comunicado do Mercosul que cobra a “restauração da democracia” na Venezuela, divulgado nesta quarta-feira (20) ao término da cúpula do bloco.
Diplomatas ouvidos pelo Ministério das Relações Exteriores afirmam que o texto vinha sendo negociado havia semanas. O Brasil aceitava mencionar violações de direitos humanos e a crise humanitária sob a gestão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, mas defendia a inclusão de um parágrafo alertando que a presença de forças militares internacionais no Caribe representa risco à soberania regional – referência direta às operações dos Estados Unidos na área.
Como a proposta de equilíbrio não foi incorporada, a delegação brasileira se afastou da elaboração do documento final. O Uruguai também decidiu não assinar. A iniciativa de divulgar a nota partiu do presidente argentino, Javier Milei, apoiado por Paraguai e Bolívia.
Pressão norte-americana no Caribe
Desde agosto, Washington enviou navios de guerra, caças e um submarino nuclear ao mar do Caribe. A ação inclui o confisco de petroleiros venezuelanos e ataques a embarcações na região, medidas que, segundo fontes do Itamaraty, não poderiam ser ignoradas em uma posição conjunta do Mercosul.
“Sabíamos que eles publicariam o documento. É direito deles. Mas, diante da discordância, não fomos consultados sobre a redação final”, relatou um diplomata presente nas tratativas.
Imagem: g1.globo.com
Questionado sobre a ausência brasileira, o Itamaraty preferiu não se manifestar.
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Com informações de G1



