Os quatro países do Mercosul encerraram, em 21 de dezembro de 2025, a Cúpula do bloco com duas posições distintas sobre a crise venezuelana. Enquanto a maior parte dos membros divulgou um comunicado pedindo a “retomada da democracia” na Venezuela, o governo brasileiro se recusou a assinar o texto.
Segundo fontes diplomáticas, Brasília exigia que o documento incluísse um alerta contra “interferências externas” na América Latina e reafirmasse o continente como “região de paz”. Como o ponto não alcançou consenso, o Brasil optou por ficar fora da nota específica sobre o país vizinho.
Declaração conjunta sem menção à crise
Paralelamente, todos os integrantes do Mercosul subscreveram a declaração final da Cúpula. O texto não menciona nem a situação interna na Venezuela nem a ofensiva militar dos Estados Unidos no Caribe, iniciada neste mês. O silêncio coletivo foi interpretado como tentativa de evitar novos impasses internos.
Expectativa por acordo com a União Europeia
No mesmo documento, o Mercosul expressou “desapontamento” pela ausência de assinatura do acordo comercial com a União Europeia, travado por falta de consenso político no bloco europeu. Mesmo assim, os países sul-americanos afirmaram estar confiantes em que Bruxelas conclua os trâmites pendentes e marque uma data para a assinatura, possivelmente já em janeiro.
Contexto político regional
A reunião ocorre em meio ao avanço de governos de direita, que agora comandam metade dos países da América Latina. Para o professor de direito internacional da Unicamp, Luis Renato Vedovato, a posição brasileira de destacar a soberania regional foi “adequada”, embora a avaliação não apareça nos documentos oficiais.
Imagem: Ricardo Stuckert via cbn.globo.com
Com as discussões encerradas, o Mercosul volta-se, nas próximas semanas, à tentativa de destravar o acordo com os europeus, ao mesmo tempo em que monitora os desdobramentos da crise venezuelana e da operação militar dos Estados Unidos no Caribe.
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Com informações de CBN



