Brasil só tratará da crise venezuelana com os EUA em reunião do Conselho de Segurança, diz Itamaraty

Brasília – A secretária-geral do Itamaraty, embaixadora Maria Laura da Rocha, informou neste sábado (3) que o governo brasileiro deverá dialogar com os Estados Unidos sobre a situação na Venezuela apenas durante a sessão do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), marcada para a próxima segunda-feira.

Após participar de reunião coordenada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Rio de Janeiro, a diplomata declarou que “não cabe ao Brasil manter qualquer contato prévio” com Washington antes do encontro multilateral. Segundo ela, a delegação brasileira defenderá na ONU o respeito à soberania dos Estados e a rejeição a intervenções externas, conforme nota divulgada pela Presidência horas mais cedo.

Interlocução com Caracas

Questionada sobre quem é reconhecido por Brasília como autoridade venezuelana, Maria Laura afirmou que, “na ausência do presidente Nicolás Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez exerce interinamente a chefia do Executivo”. A embaixadora esclareceu que, até o momento, não houve comunicação direta com Rodríguez.

Celac deve se reunir

A secretária-geral antecipou ainda a possibilidade de uma reunião ministerial extraordinária da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) neste domingo (4) para tratar dos ataques norte-americanos e da captura de Maduro, ocorridos na madrugada de sábado.

Fronteira permanece aberta

Em declaração paralela, o ministro da Defesa, José Múcio, informou que a fronteira entre Brasil e Venezuela segue sem restrições. “A situação nunca esteve tão tranquila. Movimento mínimo, tudo calmo”, descreveu. O ministro acrescentou que as Forças Armadas estão de prontidão para eventuais mudanças.

Turistas brasileiros evacuados

Maria Laura da Rocha confirmou que cerca de 100 turistas brasileiros deixaram a Venezuela em segurança e que não há registro de feridos nacionais. O Itamaraty mantém acompanhamento “em tempo integral” para novos pedidos de assistência consular.

Duas reuniões com Lula

Este foi o segundo encontro do dia convocado por Lula, que permanece no Rio de Janeiro desde 26 de dezembro. Segundo participantes, o presidente reiterou a necessidade de monitorar a fronteira e manter diálogo permanente com autoridades venezuelanas.

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Imagem: Cristiano Mariz via oglobo.globo.com

Mais cedo, o chefe do Executivo classificou os bombardeios como “afronta gravíssima à soberania da Venezuela” em publicação nas redes sociais. A nota não mencionou explicitamente o governo norte-americano nem a captura de Maduro.

Próximos passos

Assessores do Planalto admitem a possibilidade de Lula conversar com outros líderes internacionais nos próximos dias, embora nenhum compromisso esteja agendado. A orientação interna é unificar a comunicação do governo em torno da defesa do direito internacional e da integridade territorial venezuelana.

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O Brasil aguarda a reunião do Conselho de Segurança para expor oficialmente sua posição e definir eventuais iniciativas diplomáticas diante da crise.

Com informações de O Globo