BTG Pactual e China Southern articulam novos ETFs que conectam B3 e bolsas chinesas

BTG Pactual Asset Management fechou nesta sexta-feira (9) um memorando de entendimento com a China Southern Asset Management para lançar fundos de índice de listagem cruzada, permitindo que investidores no Brasil acessem ações chinesas pela B3 e, em sentido inverso, que investidores na China negociem uma cesta diversificada de ações brasileiras em suas bolsas locais.

Estrutura da parceria e objetivos estratégicos

O acordo formaliza um modelo de cross-listing no qual cada gestora oferecerá um ETF nacional ancorado em um ETF estrangeiro. No Brasil, o produto será listado na B3 e investirá em um ETF administrado pela China Southern; na China, o veículo será negociado em Xangai ou Shenzhen, terá cotação em renminbi e aplicará recursos no BZEQ11, ETF que replica o índice MSCI Brazil 25/50.

De acordo com comunicado conjunto, o objetivo central é “ampliar o leque de oportunidades” e simplificar o fluxo de capitais entre as duas economias. Dados da BTG Pactual Asset indicam administração de mais de R$ 690 bilhões em ativos, enquanto a China Southern somava US$ 402 bilhões em dezembro de 2025. A união reúne, portanto, duas plataformas com forte capacidade de distribuição em seus mercados domésticos.

Apesar de ainda não haver definição sobre o índice subjacente do ETF brasileiro, a proposta menciona setores de alta representatividade na economia chinesa, como tecnologia, semicondutores, manufatura avançada, transição energética e inteligência artificial – segmentos que concentram empresas listadas em Shenzhen Stock Exchange e STAR Market.

Implicações para investidores brasileiros

Hoje, o acesso de investidores de varejo do Brasil a ações chinesas costuma se dar por BDRs, fundos multimercados ou plataformas internacionais. A listagem de um ETF na B3 dedicado exclusivamente à China poderá reduzir custos operacionais, dispensar abertura de conta no exterior e aumentar liquidez em horário compatível com o pregão brasileiro.

Além disso, a alocação em um único ticker permitirá diversificação entre dezenas ou centenas de companhias chinesas, mitigando riscos de concentração em gigantes de tecnologia listadas nos Estados Unidos. A adoção de um índice doméstico da China Southern também tende a oferecer exposição mais ampla às chamadas “ações A”, negociadas em moeda local.

Para investidores institucionais, o veículo pode servir como hedge cambial parcial. Como o ETF investiria em outro ETF sediado na China, parte da variação do renminbi frente ao real seria refletida no valor de cota, adicionando correlação negativa em relação a ativos atrelados ao dólar.

Expansão do mercado de ETFs na China e no Brasil

O mercado chinês de fundos passivos atravessa rápida evolução. Em 2024, os ETFs superaram fundos de gestão ativa em ativos sob gestão, alcançando aproximadamente US$ 850 bilhões. A China Southern é protagonista desse crescimento, com 132 fundos de índice, sendo 68 ETFs, e base de 225 milhões de clientes, segundo dados públicos.

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No Brasil, o número de ETFs listados na B3 também vem crescendo, mas ainda representa fatia modesta se comparado ao total de fundos de investimento. A entrada de um produto focado na China adicionaria uma classe geográfica pouco explorada, ampliando a diversidade além dos já consolidados ETFs de Estados Unidos, Europa e commodities.

Analistas de mercado apontam que a parceria reforça a estratégia de internacionalização da BTG Pactual Asset, que possui operações em nove países e mantém participação expressiva em negociações de renda variável local.

Perspectivas e próximos passos

O memorando assinado nesta sexta-feira estabelece as bases legais e operacionais, mas ainda exige aprovação dos reguladores em ambas as jurisdições, elaboração de prospectos definitivos e seleção dos índices de referência. Não há cronograma oficial para a primeira oferta, embora fontes próximas ao processo falem em lançamento ao longo de 2027.

Uma vez concluído o cross-listing, investidores brasileiros poderão negociar cotas do ETF focado na China durante o pregão regular da B3, com liquidação em reais e custódia local. Paralelamente, investidores chineses terão acesso a empresas brasileiras de setores como mineração, energia, agronegócio e serviços financeiros, espelhadas no índice MSCI Brazil 25/50.

Ao conectar de forma inédita os mercados de capitais de Brasil e China, a iniciativa cria uma via de mão dupla que pode estimular novos fluxos de capital, aprofundar a integração financeira entre as duas maiores economias emergentes e expandir o cardápio de diversificação disponível para investidores em ambos os lados do globo.

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