Governo Trump suspende participação de big techs em programa de green card e dificulta contratação de estrangeiros

O governo dos Estados Unidos suspendeu em 8 de outubro de 2026 a participação de Microsoft, Adobe, Cognizant, Infosys, Tata Consultancy Services, Wipro, HCL e Capgemini no programa PERM, principal porta de entrada para o green card patrocinado por empregadores, restringindo a concessão de novos vistos a profissionais estrangeiros e exigindo que as empresas priorizem trabalhadores norte-americanos.

Detalhes da medida e motivação oficial

De acordo com o vice-presidente JD Vance, a suspensão do PERM (Permanent Labor Certification) tem o objetivo de “forçar as companhias a contratarem talentos locais”. O Departamento do Trabalho (DOL) deixará de processar:

  • Novos pedidos de certificação laboral apresentados pelas empresas listadas;
  • Processos que estavam em análise na data do anúncio;
  • Qualquer solicitação futura de green card baseada em emprego apresentada pelos mesmos empregadores.

Segundo Vance, auditorias preliminares indicaram uso “abusivo” dos vistos por parte das companhias, sugerindo tentativas de substituir mão de obra nacional. O governo também reiterou críticas ao visto H-1B, utilizado para contratações temporárias de profissionais qualificados, que historicamente soma 85 mil emissões anuais.

Consequências imediatas para big techs e profissionais

Para funcionários estrangeiros que já possuem green card patrocinado pelas empresas afetadas, nada muda. Entretanto, candidatos em fase de tramitação terão seus processos arquivados. Especialistas em mobilidade corporativa estimam que:

  • Cerca de 10 mil solicitações de green card podem ser impactadas apenas no ciclo fiscal vigente;
  • A Microsoft responde historicamente por aproximadamente 1 800 pedidos de PERM por ano, seguida por Infosys e TCS;
  • Setores mais atingidos incluem engenharia de software, ciência de dados e segurança cibernética, áreas nas quais há escassez reconhecida de talentos no mercado norte-americano.

Companhias que dependem de profissionais estrangeiros para projetos críticos devem recorrer a:

  1. Redistribuição de equipes para hubs no Canadá ou na Europa;
  2. Terceirização de tarefas altamente especializadas via filiais na Índia e no Brasil;
  3. Programas internos de capacitação acelerada de cidadãos norte-americanos.

Reflexos sobre universidades e cenário regulatório

A administração também colocou nove universidades sob investigação por suposto uso inadequado de vistos acadêmicos, incluindo Harvard, Yale e Stanford. Paralelamente, o Departamento de Segurança Interna (DHS) propôs taxa de US$ 70 mil para estudantes estrangeiros que desejem permanecer no país após a formatura mediante autorização de trabalho.

Analistas do mercado de educação indicam que a cobrança pode:

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  • Reduzir a demanda de matrículas internacionais em até 22 % no biênio 2027-2028;
  • Aumentar a competitividade de polos alternativos, como Canadá, Austrália e Alemanha;
  • Gerar pressão financeira sobre programas de pesquisa financiados por pós-graduandos estrangeiros, responsáveis por 40 % das patentes universitárias registradas nos EUA.

    Contexto histórico e desdobramentos previstos

    Desde o primeiro mandato de Donald Trump, iniciado em 2017, a política migratória norte-americana adotou sucessivas camadas de restrição. No início, o foco estava em imigrantes irregulares; a partir de 2019, passaram a ser revistos programas de trabalho temporário e, em 2024, iniciaram-se auditorias massivas em processos de green card corporativo.

    Com a medida de 2026, o governo sinaliza a intensificação de uma agenda que privilegia mão de obra doméstica mesmo em setores de alta especialização. Caso a suspensão se mantenha, consultorias de recursos humanos preveem:

    • Aumento de 7 % a 11 % na remuneração média de engenheiros de software residentes;
    • Possível realocação de até 50 mil posições para centros de desenvolvimento fora dos EUA em 18 meses;
    • Pressão crescente sobre startups que dependem de talentos globais, sobretudo em inteligência artificial aplicada e computação quântica.

    Conclusão técnica

    A suspensão das big techs no programa PERM consolida o endurecimento da política migratória de Washington em 2026. No curto prazo, empresas afetadas precisarão reestruturar estratégias de recrutamento e relocação para cumprir prazos de projetos críticos. Profissionais estrangeiros enfrentam maior incerteza quanto à permanência nos Estados Unidos, ao passo que universidades aguardam definições sobre as investigações e sobre a proposta de taxa para vistos acadêmicos. Especialistas avaliam que a efetividade da medida dependerá do equilíbrio entre a proteção do emprego local e a manutenção da competitividade tecnológica norte-americana, debate que deverá ganhar força nas próximas revisões legislativas de imigração e trabalho.

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