Casas Bahia quita aluguel de R$ 2,93 mi em Contagem, mas inadimplência em São José dos Pinhais mantém ações de despejo do HSLG11

Casas Bahia realizou o pagamento de R$ 2,93 milhões referente ao aluguel de setembro do galpão de Contagem (MG) pertencente ao FII HSI Logística (HSLG11), porém continua inadimplente em R$ 1,43 milhão no imóvel de São José dos Pinhais (PR), mantendo ativas as duas ações de despejo protocoladas pelo fundo.

Pagamento parcial após ajuizamento não encerra litígio

A transferência de R$ 2,87 milhões em aluguel, acrescida de R$ 57,5 mil em multa por atraso, ocorreu em 14 de outubro, dois dias após o HSLG11 ingressar com a ação de despejo relativa ao galpão mineiro. Segundo fato relevante do fundo, o aporte posterior ao ajuizamento não caracteriza a purgação da mora prevista em lei. Desse modo, o processo seguirá até decisão judicial, resguardando o direito do locador a eventuais indenizações e à retomada do ativo.

No Paraná, a pendência de R$ 1,43 milhão — valor base desconsiderando multas e juros — motivou uma segunda ação protocolada em 8 de outubro. A falta de pagamento persiste, elevando o risco de despejo e eventuais custos adicionais para a varejista.

Recuperação judicial e natureza extraconcursal dos créditos

Em 16 de agosto, Casas Bahia entrou em recuperação judicial junto a subsidiárias, alegando deterioração das condições econômico-financeiras em cenário de juros altos. Contudo, os aluguéis devidos ao HSLG11 são classificados como créditos extraconcursais, pois surgiram após o pedido de proteção judicial. Pela legislação, essas obrigações não se submetem ao plano de recuperação e devem ser quitadas nos prazos contratuais, sob pena de despejo imediato.

A classificação reforça a posição do fundo na hierarquia de recebimento e legitima a estratégia processual para preservação de fluxo de caixa. Qualquer atraso, portanto, pode resultar em rescisão contratual e execução de garantias sem a barreira imposta aos credores concursais.

Exposição do HSLG11 ao varejo e impacto financeiro

De acordo com o relatório gerencial mais recente, Casas Bahia representa 30,7 % da receita contratada do HSLG11, sendo 27,4 % provenientes de locação direta e 3,3 % de áreas sublocadas. A carteira do fundo ainda concentra receitas em outros nomes do varejo, como Mercado Livre (13,3 %), Bemol (12,9 %) e Assaí (11,8 %).

Casas Bahia quita aluguel de R$ 2,93 mi em Contagem, mas inadimplência em São José dos Pinhais mantém ações de despejo do HSLG11 - Imagem do artigo original

Embora o gestor destaque a qualidade logística dos seis ativos que compõem o portfólio, a dominância do segmento varejista amplia a sensibilidade do fundo a oscilações de consumo e solvência de grandes locatários. Analistas observam que a substituição de inquilinos pode ser facilitada pela especificação A+ dos galpões, porém eventuais vacâncias temporárias pressionariam distribuição de rendimentos.

Resultados financeiros da varejista agravam incertezas

No segundo trimestre de 2026, Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões, montante 18 vezes superior ao déficit de R$ 555 milhões do mesmo período de 2025. O balanço negativo realça o desafio de cumprir obrigações operacionais enquanto renegocia dívidas em recuperação judicial.

A companhia atribui o resultado à baixa demanda, custos financeiros elevados e necessidade de provisões contábeis. Esses fatores limitam geração de caixa e ampliam o risco de novos atrasos locatícios, cenário que mantém pressão sobre cotas do HSLG11 e, por extensão, sobre investidores expostos ao fundo.

Conclusão técnica e próximos passos

O pagamento de R$ 2,93 milhões alivia parte do passivo da Casas Bahia, mas não altera o curso das ações de despejo movidas pelo HSLG11. A natureza extraconcursal dos créditos confere prioridade ao fundo, que deve prosseguir com medidas judiciais até a regularização integral das pendências ou substituição dos inquilinos. Para o mercado, o desfecho influenciará a distribuição de rendimentos do FII e servirá de termômetro sobre a efetividade das garantias locatícias em cenários de recuperação judicial.

0

Carregando conteúdo…